Clóvis Duarte: Professor sempre

Ex-biólogo, ex-professor, comunicador sempre Da transformação de biólogo em apresentador de televisão, já se foram mais de três décadas.

O professor de cursinho que em 1971 estreou na TV Gaúcha dando dicas aos vestibulandos e fazendo comentários sobre as provas, foi cedendo espaço para o comunicador. "Jamais havia entrado em um estúdio antes", recorda Clóvis Duarte, que começou na atividade por acaso, mas sete anos depois se afastou definitivamente da vida acadêmica para dedicar-se intensamente à comunicação.
Como ambas as atividades exigiam tempo integral, ele teve que optar: "A aula não começa nem termina quando bate o sinal, assim como o jornalismo não começa quando o programa entra no ar". Começou a sentir confiança que levava jeito para a coisa desde os primeiros tempos do Jornal do Almoço, no qual ingressou em seguida como comentarista e foi ganhando espaço, participando também de entrevistas e outros quadros. Em 1974, Salimen Júnior, que ele considera um grande padrinho, convidou-o para montar um programa ao meio-dia na TV Difusora. "No 'Porto Visão', pela primeira vez fui responsável pela produção de um programa independente", lembra. Paralelamente, teve a oportunidade de testar seu jeito para o rádio, com o 'Opinião Jovem', em parceria com o jovem professor José Fogaça, que depois faria carreira na política. De volta à TV Gaúcha, em 1978, permaneceu no Jornal do Almoço por mais dez anos, até a criação do Câmera Dois, que estreou em janeiro de 1988 na TV Guaíba.
Mutação e adaptação
Ele está plenamente satisfeito com a escolha, garante que nunca se arrependeu e considera que a transição foi uma das grandes etapas da sua vida. Há 15 anos no ar com o Câmera Dois, Clóvis Nogueira Duarte da Silva chegou onde jamais havia imaginado quando pegou seu diploma de biólogo na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Ufrgs, mas tem certeza de que não poderia estar melhor. Aos 61 anos, mantém a energia exigida para comandar um programa diário e ao vivo, com uma hora e meia de duração e diversos convidados. Como sua adrenalina sempre fica muito ativada após o trabalho, tem o hábito de dormir tarde. Durante a manhã, atualiza a leitura e se mantém informado, já pensando no trabalho, do qual se ocupa desde as primeiras horas da tarde. Casado há 12 anos com a socióloga Vanessa, com quem tem um filho de três anos, faz questão de almoçar com a família antes de subir o morro rumo à TV Guaíba. Clóvis está encantado com a experiência de ser pai novamente na maturidade. Ele tem três filhas adultas do seu primeiro casamento, que lhe deram dois netos. Artur, o caçula, chegou em um momento especial da sua vida. "É outro tipo de relação, porque eu estou em outro estágio da minha vida, estabilizado, mais consciente da compreensão de uma criança e com tempo disponível", declara, resumindo a sensação como "excelente".
Pessoa caseira que é, Clóvis gosta de reunir a família e de receber amigos para degustar um churrasco - sua especialidade. Amante da boa mesa, participa de três confrarias gastronômicas diferentes, "o que me obriga a ter um cuidado redobrado para manter a linha", revela. O segredo? Uma alimentação baseada em saladas - que ele adora - nos dias em que não tem confraria. "Sou um grande confrade, gosto de saborear coisas temperadas e testar tudo, principalmente nas viagens". Já esteve em lugares exóticos e conta que nunca teve receio de experimentar iguarias típicas e estranhas, tendo encarado até carne de cachorro.
Renovação
Os sagrados finais de semana são dedicados ao lazer. Agora no inverno, tem curtido muito o seu chalé em Canela. No verão, o destino preferido é a casa que mantém na praia de Atlântida. Para ele, férias ideais têm a duração de dez dias, três vezes por ano. "É o suficiente para arejar a cabeça sem se desligar muito das atividades", justifica. Viagens mais distantes, porém, não tem feito ultimamente. "Gosto de viajar muito, mas não tenho feito tanto quanto gostaria, pela desvantagem da nossa moeda no exterior e por ter um filho ainda pequeno para isso". Mas ele já está pensando na retomada. Gosta de destinos "tradicionais", como Paris, Londres e Nova York, e tem uma ligação especial com a Flórida, para onde viajou freqüentemente durante o período em que sua esposa estava fazendo MBA lá. Clóvis está sempre ligado nos acontecimentos, em busca da informação e de novos contatos.
Como telespectador, gosta de assistir a programas jornalísticos, principalmente com opinião. Entre os filmes, tem preferência pelas velhas comédias. "Os filmes de humor feitos nas décadas de 40 e 50 são preciosidades, para serem vistos várias vezes". Aprimorar o Câmera Dois, que considera que tem sido um projeto inovador desde a sua criação, é o seu grande projeto para este e para os próximos anos. "Quero criar coisas novas".
Aumentar a interação do telespectador com o programa, incorporar novas tecnologias, ir ao encontro do interesse do público são alguns exemplos. Estar há 15 anos ininterruptos no ar, sempre ao vivo, em um horário alternativo, é sua grande conquista. "Muitos não acreditavam que um programa ao vivo, com início às 22h30 conseguisse ter audiência e a presença de políticos, empresários e artistas, porque duvidavam que eles subiriam o morro àquela hora para dar uma entrevista ao vivo". Mas Clóvis apostou no novo formato, e está orgulhoso com o 'debutante' Câmera Dois. Assim como o homem que se renovou com a paternidade, garante que quer se renovar como comunicador ano após ano.

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