Colunas | 04/02/2011

Onde está a oposição?

André Arnt

Com consistente atuação na política e no futebol, Ibsen Pinheiro é um dos maiores frasistas deste ambiente que nos cerca.

Conta a lenda que, certa ocasião, quando dirigia o futebol do Internacional, numa época de vacas magras, escutou do treinador do time: “Dr. Ibsen! Assim é difícil. Com estes jogadores não dá para fazer um bom meio de campo!”.

O ex-presidente da Câmara de Deputados – sim, já houve época em que o Rio Grande do Sul teve deputados que presidiram a Câmara Federal com qualidades intelectuais invejáveis – mirou o treinador e lascou: “Pois então faça um meio de campo ruim!”.

A oposição no Brasil parece não ter limites para manifestar sua incompetência. Assistiu um governo Lula desfilar carregado de corrupção durante oito anos e não conseguiu posicionar-se, explicar à população as fragilidades do governo ou atacar seus pontos fracos.

Casos como o do mensalão, o das ONGs petistas ou o da Erenice, para citar um mais recente, não tiveram o tratamento que mereciam por vários motivos, mas principalmente pela inapetência da oposição.

Iniciado o novo governo, fica claro que no DEM e no PSDB nada é tão ruim que não possa ser piorado. Com lutas internas fratricidas, encaminham a perda da maior prefeitura do País e, daqui a quatro anos, a hegemonia no maior Estado.

Tudo por falta de capacidade de articulação. Enxergam os adversários dentro de casa e esquecem os 43 milhões de brasileiros que neles votaram para que fizessem oposição.

As disputas só acontecem internamente, esquecendo o motivo pelo qual os partidos oposicionistas existem.

Nesta semana, em mais uma demonstração de falta de foco, colaboraram para colocar na presidência da Câmara um político cuja ausência preenche uma lacuna e, no Senado, um sujeito cujo nome se confunde com o que há de mais nefasto no Brasil.

Num Poder Legislativo no qual a única regra parece ser garantir que cada Legislatura seja mais onerosa e desqualificada que a anterior, deixaram Sarney reclamar do sacrifício que é o exercício de mais dois anos mandando e desmandando na Câmara Alta. Não tugiram nem mugiram.

Do ponto de vista da gênese, o DEM era o que mais se aproximava de um partido com perfil de oposição no Brasil. O PSDB, por sua vez, considerando suas origens em Franco Montoro, Mário Covas e FHC, trazia no DNA uma alta capacidade para pensar o País. Ambos tinham todas as condições para enfrentar o governo com projeto de poder.

Tudo parece ter virado pó.

Resta a perspectiva de parodiar Ibsen Pinheiro: se não podem fazer uma boa oposição, que façam uma ruim!



 

André Arnt

andre@coletivaeac.com.br

André Arnt, diretor da Coletiva EAC, é administrador de empresas, consultor e professor universitário. Coordenou cursos de pós-graduação nas áreas de negócios e marketing. Atua como consultor em estratégia empresarial. É colaborador da Coletiva.net.

Publique o seu comentário. Clique aqui.



Colunas


rss RSS
ADVB ARI
Todos os direitos reservados © 1998.2014 - Coletiva.net.
A reprodução não autorizada é crime, fale conosco e evite constrangimentos.

Desenvolvido por dzestudio