A influência sobre os influenciadores

Por Felipe Ramires, para Coletiva.net

Apesar da leitura extensa, o relatório Social Media Trends 2019, da Kantar Media, colabora um pouco com a pergunta que vinha me incomodando: Os influenciadores digitais têm prazo de validade? É verdade que o levantamento não invalida a "profissão" - se é que podemos chamar assim -, mas que o caminho que vinha sendo traçado por eles estava equivocado, esta é uma certeza.

Se uma empresa paga alguém, com uma legião de seguidores, para falar da sua marca ou produto, é possível que exista, sim, uma familiarização de alguns fãs com a publicidade e, consequentemente, com o produto. É estatístico isso. O fato é que esse influencer, ao divulgar mais marcas, torna-se para o consumidor um veículo de publicidade e, dessa forma, o fã acaba perdendo o interesse naturalmente, simplesmente por saber que a busca pelo produto está na palma da mão e não nas suas relações sociais.

Não estou determinando que é 100% assim, mas a história recente das redes sociais mostra que os usuários estão perdendo interesse nesses ambientes onde são perturbados e atacados pelas marcas. Gerando exaustão no consumidor. Isso se dá muito pela falta de conhecimento como essa publicidade é feita.

Outro fato é que apenas impulsionar um post no Facebook normalmente não dá o resultado esperado porque não é segmentado. Essa tarefa, hoje, precisa de um profissional capacitado para fazer com que o investimento dê retorno. Faço mea-culpa ao dizer que sou um destes que promove essa enxurrada, segmentada, de ofertas, que também erra, mas analisa os erros pra aprimorar as estratégias da próxima etapa.

Pensem agora em um influenciador que une as pessoas com motivos específicos, mas também diversos perfis distintos. Quando é apresentado ao usuário, uma oferta "externa" as atividades normais do influencer gera estranhamento, ainda mais quando esta vem seguida de uma série de outras publicidades, mas que fugiram do assunto central proposto, pelo qual o usuário segue aquele influenciador.

As plataformas sociais vêm trazendo maneiras novas de explorarmos essas questões, mas nosso mercado insiste em povoá-lo com quantidade e pouquíssima qualidade. Essa construção ideal vem sendo realizada com êxito por poucos e, normalmente, grandes do mercado, os quais se tornam referências para outros, além de cases.

O fato de haver recursos para pessoal qualificado e equipamentos de qualidade pode ser o fator chave, mas, hoje, se faz um bom trabalho e com relevância da garagem de casa. É preciso apenas empenho em conhecer e aprimorar as diversas formas de fazer, muitas com tutoriais das próprias plataformas sociais, um celular na mão, não ter preguiça de pensar e pesquisar, e deixar a ganância de lado.

O mundo digital tem mudado um pouco a cada atualização de algoritmo, parte dos influencers sabem disso, mas o que é comum entre os respondentes é que "O consumidor de hoje é cada vez menos ingênuo e consegue identificar um anúncio pago a uma milha de distância."

Relatório AQUI.

Felipe Ramires é formado em Marketing, professor do Senac e consultor de Marketing Digital.

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