Pare, olhe, escute: O SXSW ajuda a repensar a vida

Por Gabriela Boesel, para Coletiva.net

Pensar o modelo de trabalho, hoje, é essencial. É um momento de transformação, inovação e tecnologia que, se as empresas e as pessoas não se adaptarem, são atropeladas e ficam ara trás. Alguns dias depois de ter participado intensamente do South by SouthWest, em Austin, no Texas, as ideias fervilham na mente e a vontade é mudar tudo de uma vez. Porém, é importante, antes de tudo, parar, refletir e repensar atitudes, conceitos e paradigmas.

O famoso SXSW, ou South by para os mais íntimos, é um evento do qual todos deveriam ter a chance de participar ao menos uma vez na vida. Não somente quem trabalha com Comunicação, Inovação e Tecnologia, mas profissionais de todos os meios. O festival é um universo que faz refletir o lado profissional, claro, e, também, o pessoal. Afinal, somos um só, impossível separar em duas partes.

No que tange ao lado profissional, é revelador o que se pode descobrir no SXSW. Quando o CCO do Grupo Publicis, Nick Law, falou sobre os novos modelos de negócio na propaganda, percebemos como é necessário estudar novas possibilidades e, melhor, colocá-las em prática. E olhem que nem publicitária sou. A questão é que a palestra do cara é tão inspiradora que te permite fazer parte desse mundo.

A frase "O que trouxe você até aqui não é necessariamente o que levará você adiante", dita por Law em sua palestra é tão simples e, ao mesmo tempo, tão significante e verdadeira. O mesmo é sobre sua declaração de que as agências de publicidade devem reavaliar suas estruturas a partir da formação e times criativos e com a liderança correta. Esse pensamento faz todo o sentido, inclusive, para todas as áreas.

Presenciar a entrevista ao vivo com os fundadores do Instagram, Kevin Systrom e Mike Krieger, feita por Josh Constine, do site especializado em tecnologia TechCrunch, foi, no mínimo, interessante, quando observada do ponto de vista do entrevistador. Sagaz e com um bom conhecimento de causa (afinal, escreveu 638 artigos sobre a dupla e a rede social), Josh se mostrou simpático e, ao mesmo tempo, crítico, fazendo o bom trabalho de jornalista. Quando os dois afirmaram que não olham para a conta bancária com preocupação, o editor do site de tecnologia se limitou a sorrir e dizer: "Claro, vocês fundaram a rede social de maior sucesso no mundo".

No que se refere a conteúdo, os painéis sobre podcast foram enriquecedores. O formato, que já é realidade, apresenta-se como a grande e principal tendência na Comunicação. E quando o gerente global de marketing do The New York Times, Sebastian Tomich declarou que essa "é a era de ouro do áudio", isso parece ainda mais real. Experimentar novos formatos foi a dica que o profissional deu durante o painel que participou. Lisa LaCour, gerente de Marketing da Endeavor Audio, que dividiu o debate, concordou e acrescentou que tudo ainda é novidade e as pessoas e empresas ainda estão aprendendo como trabalhar com áudio.

Concordo em gênero, número e grau. Vivemos em uma era de experimentação e a parte boa é que o público tem aceitado isso. Obviamente que não é por isso que as empresas devem ofertar qualquer coisa. É preciso buscar sempre a qualidade, não a quantidade. É assim, também, na opinião de Tomich, que disse acreditar que, daqui a pouco, vai ter mais podcast do que ouvido para escutar.

E porque será que essa é a era de ouro do rádio? Explico: as pessoas, agora, querem consumir informação enquanto fazem outras ações. Ninguém mais tem tempo de parar para assistir notícias na TV ou ler jornal e site. Nem conseguem. Estamos sempre correndo contra o tempo. Não acho, no entanto, que isso seja saudável, mas preciso concordar com Tomich: as empresas de comunicação devem ir onde a audiência está. E, hoje, é no rádio.

Depois dessa imersão, é até engraçado pensar que o rádio estava com os dias contados quando surgiu a TV, cheia de imagens, cores e sons. Aconteceu o contrário: curiosamente, é o veículo que mais se reinventou na história da comunicação. Quem sabe a gente também não faz como o rádio e busca se reinventar para estar sempre relevante no mercado de trabalho? Uma dica que vale para empresas e profissionais.

Gabriela Boesel é jornalista e editora do portal Coletiva.net.      

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