Precisamos pensar com foco na transformação

Por Ricardo Gomes, para Coletiva.net

O tempo de transformação é agora. Mas nada irá realmente mudar se continuarmos a ver o mundo pelo mesmo prisma. Cada um de nós precisa se perceber como um ator de uma nova realidade econômica, social e estrutural. A partir dessa percepção seremos os propulsores de inovação em nossas organizações.

Como gestores de comunicação e marketing temos de ter a sensibilidade de perceber que a sociedade atual está repleta de visões, desafios e conceitos, que colocam em xeque tudo e todos e, especialmente, os caminhos que já vivemos e muitas vezes guardamos como fórmulas de cases já executados. Neste momento, pensar diferente é mais que um desafio, é uma necessidade de sobrevivência.

As organizações necessitam do desenvolvimento de áreas propícias ao empreendedorismo, à disrupção e à inovação. Ao promover espaços que funcionem como incubadoras de projetos para possibilitar um penso e uma ação estratégica, estaremos construindo um cenário mais propício para conseguirmos as entregas e os resultados necessários para a nova economia.

Com uma atuação mais alinhada às demandas do século 21, nossas organizações passam a perceber a importância da quádrupla hélice para o desenvolvimento com base na inovação. Já não é apenas a indústria que deve promover a transformação. É a interseção de forças e ações entre as empresas, as universidades, a sociedade e os governos que irá formatar as condições necessárias para inovar. Aliás, este modelo serve para o desenvolvimento de produtos, mercados e para projetos sociais e culturais também. Uma atuação colaborativa e compartilhada, típica de uma sociedade conectada e global. É a partir dessa nova organização estrutural que se torna possível atingir resultados eficientes e sincronizados com os novos tempos. E, por consequência, atender a sociedade em seus anseios, pois ela é a quarta pá de nossa estrutura de comunidade.

Quando a sociedade encara mudanças de postura frente aos desafios e incentiva a organização e o debate, ela propicia esse novo estado de integração e realização que pode desenvolver um ecossistema criativo e inovador, o qual muda tudo ao seu redor. Logo, o progresso, o desenvolvimento social e econômico acontecem consecutivamente.

Ao incentivar essa construção em sua área de localização, as empresas estão desenvolvendo seu papel no desenvolvimento e na transformação esperados. Mas, claro, ao fazermos a leitura deste cenário, não podemos deixar de lembrar que na relação direta da empresa com a sociedade exige também a necessidade de uma visão e de um direcionamento pelo propósito, que é algo que todas as marcas devem deixar bem claro aos seus públicos. Veja a pesquisa da consultoria Edelman Earned Brand, de 2017, em que se constata que 56% dos brasileiros dizem consumir ou boicotar marcas de acordo com seu posicionamento diante de questões sociais relevantes, que confirma essa necessidade frente aos olhos dos cidadãos.

Aliás, a visão de propósito também nos alerta para outros fatores a serem percebidos, como a questão do impacto ambiental e das atitudes das empresas. Pois existe, sim, uma necessidade de desenvolvimento, crescimento e expansão. Porém, há a compreensão e a necessidade de preservação do meio ambiente e dos recursos naturais existentes. Mais do que a imagem da organização, mas pela existência do planeta onde que vivemos. E isso não pode estar apenas no discurso, é necessário que seja parte das ações práticas e do DNA das empresas.

Somados à visão ambiental, existem outros valores que devem fazer parte da construção de um ambiente transformador. São eles: transparência, conectividade/interação e cultura.

Cabe a cada um expressar em projetos, ações e práticas que deixem transparecer seus valores, gestão e integridade. E, no mundo atual, a conexão é um sinônimo de interação. Levar seus dados e ações ao conhecimento de todos é parte da ação. Saber ouvir e interagir com as informações fornecidas pelo público-alvo é condição sine qua non às relações atuais. Pois de nada adianta falar e não ouvir.

E quando você pensar em todos os parâmetros citados acima poderá perceber a importância e a necessidade da integração de forças correlativas que se formam numa quádrupla hélice. Uma vez que a universidade tem condições de produzir e entregar as informações e orientações necessária para os projetos. Em contrapartida, ela também receberá uma experiência prática que irá enriquecer sua visão acadêmica. Consecutivamente a presença do Estado como agente regulador propicia a construção de ambientes favoráveis e adaptáveis às necessidades. Ganha a sociedade, ganha o cidadão, pois a sua comunidade se transforma para melhor atender a suas demandas e necessidades.

Mas é claro que nesta construção não se deve dar protagonismo elitista a nenhuma das quatro partes. Devemos, sim, construir um ambiente de integração que seja capaz de criar a partir das forças de cada um dos atores o ambiente transformador pretendido e desejável.

Ricardo Gomes é publicitário, com MBA em Gestão, Empreendedorismo e Marketing.

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