Mr. Clinton faz um lanche

Por José Antônio Moraes de Oliveira

Há 30 anos ou mais, ela serve hot-dogs em Reykjavik, a capital da Islândia. Maria Einarsdottir relembra, com orgulho que não consegue disfarçar, alguns momentos marcantes em sua vida. Como quando o jornal londrino The Guardian elegeu o Hot-dog que ela serve em sua barraca, a Bæjarin Beztu, como o melhor da Europa de 2006. E, também, aquele 31 de agosto de 2004, quando o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, deixou a conferência da UNICEF que se realizava na cidade e foi provar seu famoso hot-dog.

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A Bæjarins Beztu Pyslur é uma das mais antigas empresas familiares em operação na Islândia. Eles estão no negócio desde 1937, quando seu fundador, Guðrún Kristmundsdóttir abriu uma loja no centro da cidade. Hoje existem mais três, mas a pequena barraca próxima ao cais, na Tryggvagata, próximo ao monumental Harpa Concert Hall, é o local mais celebrado, procurado por locais e turistas. Nos dias claros do verão nórdico, eles atendem mais de mil clientes por dia.

Os hot-dogs de Maria Einarsdottir são preparados com uma mistura de carne suina e bovina e servidos com uma variedade de condimentos: ketchup, mostarda doce (ou picante), molho remoulade, cebolas fritas (ou cruas). Alguns clientes habituais preferem todos os ingredientes e usam a frase em islandês, "Eina með öllu" que significa "quero um com tudo". No entanto, a maior parte dos frequentadores escolhe o hot-dog ao estilo dinamarquês, com ketchup e mostarda adocicada, com leve sabor de maçãs verdes. Que foi o pedido feito pelo ex-presidente norte-americano e repetido pelos clientes desde então, que simplesmente pedem:

" - Quero um Clinton".

Mas Bill Clinton não foi a única celebridade a passar pela barraca de Maria Einarsdottir - a lista é extensa: Ella Fitzgerald, o chef Anthony Bourdain, Martin e Charlie Sheen e quase metade do elenco de Game of Thrones, (cujos exteriores foram rodados na Islândia) além dos músicos da banda Metallica. Maria relembra:

"Eles devoraram 4 hot-dogs cada um".

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Visitar a Bæjarins Beztu Pyslur é item obrigatório para os turistas que chegam a Reykjavík, além das crateras de vulcões, geleiras, cascatas, geisers e parques geo-termais. Para receber as centenas de milhares     de visitantes que desembarcam a cada ano, a Islândia se preparou diligentemente. Resorts e hotéis de design foram plantados junto às piscinas naturais de água quente, as fazendas-estufas montaram cardápios 100% orgânicos e há roteiros com visitas a vulcões ativos e escaladas das altas muralhas de rochas vulcânicas.

O turista é permanentemente seduzido por uma gastronomia inovadora e criativa, com sanduíches de carne de baleia, de tubarão ou de cervo. Ao mesmo tempo, novos restaurantes e bistrôs estão relendo a tradicional cozinha escandinava, onde está presente o melhor que os mares gelados do Atlântico Norte têm a oferecer, como truta, salmão, lagosta, lagostins, bacalhau e arenque. Mesmo o viajante-gourmet não ficará desamparado - em sua edição de 2018, o Guide Michelin recomenda cinco restaurantes, incluindo o Dill, em Reykjavík, que levou uma estrela por sua autêntica culinária nórdica.

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Por outro lado, a história que se ouve nas ruas do porto de Tryggvagata é que o Presidente Bill Clinton, quando aconselhado a comer em um restaurante estrelado, teria preferido o hot-dog com ketchup e mostarda de maçãs verdes de Maria Einarsdottir.

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Autor
José Antônio Moraes de Oliveira é formado em Jornalismo e Filosofia. Atuou em jornal em A Hora, Jornal do Comércio e Correio do Povo. Trocou o jornalismo por publicidade, redigindo anúncios na MPM Propaganda. Diretor de contas internacionais, morou por anos na ponte aérea Porto Alegre/ São Paulo/ Rio/Miami/New York. Foi diretor de Comunicação do Grupo Iochpe e co-fundador do Cenp (Conselho Executivo das Normas-Padrão). Atualmente, reside na Serra gaúcha.

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