O fascínio da exclusividade

Por Grazielle Araujo

Vamos falar sobre privilégio de informação? Êta pauta complicadinha para saber quem está certo ou errado. Se é o lado de cá, que "vende" a exclusiva, ou o lado de lá, quando não é o destinatário da notícia.

Desde que me conheço como jornalista/assessora de imprensa, sempre trabalhei com pautas direcionadas. Lembro de uma época em que divulgava os resultados de pesquisas e estudava as respostas pensando no perfil de cada colunista para não desagradar ninguém e emplacar em todos. Esse tipo de divulgação seria a ideal: mais de um dado sobre o mesmo cliente para diferentes veículos e tá feita a alegria de todos. Mas nem sempre a realidade é essa e o desafio, cada vez mais, é como trabalhar com exclusivas sem parecer que está privilegiando A ou B ou C.

Tem vezes, na maioria, que os assessores decidem ou ao menos discutem a estratégia de divulgação deste tipo de assunto (deveria ser sempre assim!). Outras, somos furados pelos colegas que ligam direto para o assessorado que, se for pego um pouco mais distraído, acaba atendendo o jornalista cordialmente e respondendo às inteligentes perguntas que saem como uma simples conversa. Então ficamos sabendo da informação pela mídia, infelizmente isso acontece mais do que deveria.

Dia desses participei de uma discussão sobre os privilégios que grandes grupos têm. Não adianta, eles sempre vão contar vantagem, não dá pra se enganar. Os assessorados querem estar lá e, se a condição for que lá tem que ser primeiro, que assim seja. Claro que não é tão à risca, mas a vontade de ver a sua marca ou o seu nome estampado no jornal/rádio/TV de maior circulação e alcance do Estado é real. Somos seres humanos e temos vaidades, vontades, preferências. Mas também é preciso ter o discernimento para saber que existem outros grupos, outros leitores e outras formas de se fazer presente.

Aí entra o bom senso do profissional de comunicação e o pulso firme para dizer sim ou não na hora certa. Também gostamos de emplacar na coluna mais lida, é evidente. Porém, temos o dever e a obrigação de reconhecer o espaço e o profissionalismo de todos que fazem bom jornalismo. Não vamos agradar a todos sempre, é fato. Mas cada vez mais temos um pé no freio para tomar decisões que implicam em escolhas.

É um conjunto de interpretações e de explicações que todos precisam entender e saber avaliar. Hoje podemos negociar com o A, semana que vem com o B e assim seguir até fazer a volta inteiro no alfabeto de opções de mídias. Tem público alvo, tem relacionamento com a fonte, tem negociação de bastidores e uma pá de coisas no meio desse processo todo. Não deveria existir tanto melindre em citar a fonte que deu o furo. Os grandes veículos do centro do país dão uma aula de como reconhecer o êxito do colega, sem tempo para mimimi. Pelo contrário, se pautam e vão atrás de mais informações para deixar a matéria ainda mais completa para seus públicos. São percalços da profissão que precisam ser administrados, porque se fosse barbada, perdia toda a graça.

Autor
Grazielle Corrêa de Araujo é formada em Jornalismo, pela Unisinos, pós-graduada em Marketing de Serviços, pela ESPM, e com MBA em Propaganda, Marketing e Comunicação Integrada, pela Cândido Mendes. Atualmente é chefe de Comunicação Social na Casa Civil do Rio Grande do Sul. Também responde pela Comunicação Social do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul (IPE-RS), da Sociedade de Cardiologia do RS (Socergs), da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV) e da Valor Fiscal. Tem o site www.graziaraujo.com.

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