A outra Catarina

Por José Antônio Moraes de Oliveira

"Um modelo do empoderamento feminino - à moda russa."

Simon Montefiore, historiador.

Roliça, pequena e com belos olhos de um azul faiscante, era inteligente e extremamente charmosa. Ganhou a reputação de dominadora após ter mandado executar o marido, o Tzar Pedro III, para se coroar imperatriz. A biografia de Catarina II, a Grande, que reinou na Rússia Imperial por 34 anos, foi temperada por traições, intrigas de alcova e assassinatos. De causar inveja a Alexandre Dumas e seus folhetins de capa-e-espada.

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Tudo ocorreu na Rússia semibárbara do século 18, quando Catarina II iniciou a conquista de territórios e alcançar a supremacia que a Rússia moderna conserva até nossos dias. Nasce como princesa Sofia Frederica, e assume o nome de Catarina Alexeievna, quando se converte à Igreja Ortodoxa.

Casa com Pedro Feodorovich, que ascende como Czar Pedro III, que não permanece muito tempo no trono, assassinado durante um complô mal explicado e supostamente insuflado por Catarina. Ela assume e toma a frente na modernização do Império Russo, colecionando êxitos na política externa, ao mesmo tempo em que reprime movimentos revolucionários. Os historiadores registram que Catarina soube continuar o que havia sido iniciado por Pedro I, considerado como o primeiro modernizador da Rússia. Ela cultiva relações com pensadores do iluminismo, como Diderot, Montesquieu e Voltaire, mas isso não evitou que corressem rumores sobre sua vida privada nas cortes europeias.

Na verdade, ela colecionava parceiros de alcova - começou com Serguei Saltikov e, depois, Grígóri Orlov, com quem teve dois filhos. Seu parceiro mais duradouro seria Grigóri Potemkin, um oficial que ela promoveu a príncipe e general. Por 18 anos, ele desempenha funções de estadista e conselheiro; e inspirando ações como a anexação da Crimeia e Ucrânia, ataques à Síria e invasão do Cáucaso. Apesar de sua vida de folhetim, o legado de Catarina II foi ter elevado a Rússia à categoria de potência mundial. Seu estilo autocrático conquistou admiradores importantes, como Winston Churchill, Josef Stalin e Vladimir Putin.

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É fascinante a história desta princesa predadora que, sem abdicar de seus desejos carnais, governou com sabedoria, caçou adversários sem piedade e conquistou imensos territórios. E ainda antecipou o feminismo em três séculos, chegando a inspirar mulheres de nosso tempo. Ao ponto de uma estrela de primeira grandeza do cinema, Angelina Jolie, ter adquirido os direitos autorais de sua biografia para produzir um filme sobre feminismo.

Segundo o historiador Simon Sebag Montefiore, Catarina manipulava os homens para governar, mas também foi manipulada por eles. Ele escreve:

"Ela regia o seu coração pelas leis da paixão e da fidelidade

- mas sempre fidelidade a si própria."

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Autor
José Antônio Moraes de Oliveira é formado em Jornalismo e Filosofia. Atuou em jornal em A Hora, Jornal do Comércio e Correio do Povo. Trocou o jornalismo por publicidade, redigindo anúncios na MPM Propaganda. Diretor de contas internacionais, morou por anos na ponte aérea Porto Alegre/ São Paulo/ Rio/Miami/New York. Foi diretor de Comunicação do Grupo Iochpe e co-fundador do Cenp (Conselho Executivo das Normas-Padrão). Atualmente, reside na Serra gaúcha.

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