Como os eleitores perceberam Eduardo Leite

Por Elis Radmann

O processo eleitoral de 2018 começou com a maioria dos eleitores gaúchos externando uma tendência de mudança, o que indicava a dificuldade de reeleição do atual governador, levando em consideração os seus indicadores de avaliação.

A imagem pessoal de Sartori estava associada à honestidade, mas havia muitas dúvidas sobre as opções de seu governo, em especial, em relação ao parcelamento de salários. A campanha de Sartori reposicionou sua imagem como administrador e reconstruiu com êxito a sua reputação, ao ponto de torná-lo competitivo.

Entretanto, a maioria dos gaúchos almejava por um candidato com coragem, com pulso firme e que tivesse uma visão de gestão eficiente, com capacidade de colocar agilidade a gestão pública, em especial, tivesse uma alternativa de superação da crise econômica e fiscal do Estado. E o grande desejo dos eleitores: que este governador mostrasse empatia com os problemas da sociedade, em especial, em relação à saúde, segurança e educação. Como dito, era uma eleição da empatia, da verdade e da simplicidade. O eleitor não desejava muito, apenas que o Estado funcionasse!

Neste contexto, o perfil de Eduardo Leite foi se aproximando naturalmente ao perfil desejado pela maioria do eleitorado, em especial, dentre os que já haviam definido que não iriam apoiar a reeleição. O posicionamento discursivo de Eduardo mostrava altivez, sua experiência estava associada à capacidade de administrar com poucos recursos e suas proposições contemplavam de forma humanizada a saúde, a segurança e a educação. Além disso, assumiu o compromisso de colocar os salários em dia, ainda no primeiro ano de seu governo.

Em julho, antes de começar os programas de rádio e televisão, Eduardo Leite detinha uma imagem positiva entre 28,9% dos gaúchos (eleitores que intencionavam votar tinham o candidato como segunda opção ou apenas simpatizavam com ele). Ao longo do primeiro turno, a sua imagem positiva foi para 59,3% e terminou o segundo turno com 70,9% com uma percepção positiva sobre Eduardo Leite.

Além dos testes de imagem, o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião verificou que os atributos de Eduardo Leite estavam mais próximos aos atributos desejados para o próximo governador. Neste tipo de teste os eleitores atribuem uma nota de zero a 10 a cada atributo, pensando nas características de um governador ideal. Depois, o eleitor avalia as características dos candidatos, atribuindo uma nota de zero a 10 a cada característica. A análise deste tipo de teste permite a compreensão do candidato que tem atributos mais próximos ao perfil ideal.

Na percepção dos eleitores, Eduardo Leite é honesto, tem experiência e competência. Consideraram que Eduardo fez uma boa política e tem capacidade de cumprir o que promete ou comunicar a sociedade sobre seus dilemas e dificuldades. Os eleitores consideram que Eduardo Leite conhece os problemas do Estado e é próximo das pessoas, sendo considerado pelo eleitor como 'gente como a gente'.

O resultado eleitoral indica que Eduardo Leite obteve pouco mais da metade dos votos no Rio Grande do Sul, mas seus indicadores de imagem demonstram que o governador eleito saiu da campanha eleitoral com o apreço de mais de dois terços dos gaúchos. Significa dizer que a população deposita grandes expectativas no futuro governador e que o mesmo terá que desenvolver um sistema permanente de diálogo com a sociedade a fim de manter ativa a crença no bem-comum.

Autor
Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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