Violenciargh!

Por Fraga

A maneira mais efetiva de combater a violência carioca e a violência brasileira é nunca mais eleger governantes truculentos.

Os índices de violência andam tão elevados que já começam atingir os estatísticos.

Violência gratuita tem muita. E mesmo que tivesse alguma sobretaxa ou imposto ainda assim haveria bastante.

É tanta violência no ar que até parece que já foi feita a transição da truculência do Temer pra brutalidade do Bolsonaro.

Por toda a parte, aumentam a violência e a obesidade. Quer dizer, carne para a carnificina nunca vai faltar.

Falam mal da violência à noite, mas é das formas mais acessíveis de sociabilização: qualquer um pode ser assaltado por 20 reais, até menos.

Nem sempre a violência acaba mal. Uma bala perdida se apaixonou por um tiro de misericórdia e tiveram uma rajada de filhos.

A violência já escolheu melhor as suas vítimas. Agora se contenta com qualquer um que atravesse o seu caminho.

Muros e grades não impedem que a violência entre na escola. Afinal, ela já está matriculada lá, onde às vezes também leciona.

A escalada da violência continua a subir: logo vai ter alpinista assaltando alpinista.

A violência doméstica não tem domicílio fixo. Por isso se pode apontar qualquer endereço e dizer: aí é que mora o perigo.

O transporte público se adaptou perfeitamente à violência urbana: a histeria coletiva agora dispõe de 32 lugares sentados e 44 em pé.

Para quem achava que a violência já tinha ido longe demais, o homem agora se prepara para ir a Marte.

Autor
Fraga. Jornalista e humorista, editor de antologias e curador de exposições de humor. Colunista do jornal Extra Classe.

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