Relatório aponta queda na confiança dos brasileiros no meio digital

Levantamento foi realizado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism

Desenvolvido pelo Reuters Institute for the Study of Journalism, o Digital News Report 2019 foca no progresso de novos modelos de negócios pagos, confiança e desinformação, o impacto do populismo, a mudança para aplicativos de mensagens privadas e o aumento dos podcasts. Neste ano, entre os meses de janeiro e fevereiro, a iniciativa entrevistou 75 mil pessoas em 38 países - inclusive, no Brasil - para a criação de um relatório sobre os meios digitais. No documento, ficou visível a queda da confiança dos brasileiros nas informações online.

O levantamento destaca que os tempos são difíceis para a indústria de notícias, considerando a desconfiança no jornalismo - e que a publicidade não consegue mais sustentar as redações. Desta maneira, os publishers estão tentando cobrar pelo conteúdo. Entre as principais descobertas do Digital News Report 2019, nota-se que mais pessoas estão pagando por notícias online, mas os limites da assinatura estão se tornando claros. "Em alguns países, a maioria prefere gastar seu orçamento limitado em entretenimento, como Netflix e Spotify, do que em notícias", revela o documento.

O relatório alerta que a frustração com os paywalls pode empurrar os consumidores para os agregadores de notícias, como o Apple News+. O estudo ainda explica que mais da metade dos entrevistados (55%) prefere acessar notícias por meio de buscadores, mídias sociais ou agregadores de notícias. Outro ponto é que dos países pesquisados, 26% das pessoas dizem que começaram a contar com fontes de notícias com maior 'reputação', e 24% disseram que pararam de consultar portais com reputação não confiável no ano passado. Mesmo assim, a confiança nas notícias continua a cair, e o público reclama da sobrecarga de matérias e da negatividade das mesmas. "As pessoas dizem que evitam as notícias porque elas têm efeito negativo no seu humor (58%) ou por se sentirem incapazes de mudar os fatos", revela.

Seguindo com os dados da pesquisa, em muitos países, as pessoas estão ficando menos tempo no Facebook e mais no Instagram e WhatsApp. Segundo o relatório, o WhatsApp tornou-se a principal rede para discutir e compartilhar notícias em países como Brasil (53%), Malásia (50%) e África do Sul (49%)". Podcasts estão tendo boa aceitação pelos consumidores, especialmente os mais jovens. E celular é o dispositivo mais utilizado (55%) para se ouvir esse tipo de conteúdo.

Especificamente no Brasil, o online e a televisão permanecem como as fontes de notícias mais importantes, enquanto o impresso apresenta queda desde 2013. Os smartphones não só ultrapassaram os computadores como principal meio de acesso às notícias online, mas também conquistaram uma larga liderança. Além disso, após uma eleição polarizada, a confiança nos meios caiu 11 pontos, de 59% para 48%. Na pesquisa, os brasileiros demonstram um alto grau de preocupação com relação à desinformação, e o uso elevado das mídias sociais durante o pleito de 2018 para difundir notícias falsas. E, no País, 85% concordam com que estão preocupados com o que é real e falso na internet.

Rodrigo Carro, jornalista financeiro e antigo membro do Reuters Institute, destaca ainda na análise os projetos de fact-checking 'Fato ou Fake' e do 'Projeto Comprova', como iniciativas importantes para frear o avanço das fake news durante as eleições. Quanto aos esforços da indústria de notícias brasileira para atrair assinantes digitais, Carro comenta que, após três anos de queda na circulação, as assinaturas digitais tiveram aumento de 33% nos jornais posicionados entre os 10 com mais assinantes, motivado por campanhas de desconto e a adoção extensiva de paywalls. O levantamento também destaca que os brasileiros permanecem entre os que mais utilizam as mídias sociais no mundo. E o crescimento de usuários tem sido maior no Instagram, WhatsApp e Youtube.

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