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Enchentes no RS: gravação do SBT-RS é utilizada pelo The New York Times

Gabriela Lerina e Guilherme Rockett, repórteres da emissora, relatam as emoções sentidas ao ouvir as histórias dos moradores do Vale do Taquari

Há mais de uma semana, a imprensa cumpre o papel fundamental de mostrar os efeitos do ciclone extratropical que atingiu o Rio Grande do Sul e causou perdas a milhares de famílias, especialmente, no Vale do Taquari. Quem se soma a esses esforços são as equipes de reportagem do SBT-RS. Para entender como está se dando esse trabalho, a reportagem de Coletiva.net conversou Gabriela Lerina e Guilherme Rockett.

Na cobertura in loco desde terça-feira, 5, – dia seguinte ao temporal -, o cinegrafista Fabio Valente de Melo, da equipe de Guilherme, chegou a captar uma imagem de Arroio do Meio que foi compartilhada de forma internacional. O grupo estava estava na cidade quando o nível da água começou a subir. “A gente flagrou a cena de um cordão humano em que as pessoas estavam ajudando a resgatar outras famílias. Essa imagem foi parar no The New York Times e isso me causou uma baita surpresa”, comentou o jornalista.

Gabriela, que chegou aos locais afetados no mesmo dia, relatou que ninguém sabia qual cidade visitar primeiro. “Priorizamos aquelas em pior situação e que tínhamos condições de chegar”, relatou. Outra repórter envolvida na cobertura é Joellen Soares e, além de Arroio do Meio, os jornalistas acompanharam de perto a situação de Encantado, Estrela, Lajeado, Muçum e Roca Sales. As informações apuradas foram noticiadas nos jornais nacionais: ‘Primeiro Impacto’, ‘SBT News na TV’ e ‘SBT Brasil’, assim como em noticiários locais. 

População

Para Gabriela, é difícil esquecer as histórias que ouviu ao entrevistar os moradores das cidades. Em Roca Sales, ela abordou uma dona de casa que estava sendo consolada por seus vizinhos, no mesmo instante a senhora começou a contar o que havia ocorrido e pedia que fosse gravada, pois desejava que o marido assistisse a reportagem. Os dois estavam em casa quando a enchente inundou a residência. A casa desmoronou e ela afundou na água, ele a puxou e depois desapareceu. Um senhor a salvou, porém, seu marido ainda não havia sido encontrado. “A entrevista encerrou quando a ‘filhinha’ dela, de uns 4 anos, chegou perto da gente, olhou pra ela e disse: mamãe, não chora. Ali quem chorou fui eu”, desabafou a repórter.

O choque também foi grande para Guilherme, que presenciou um homem descendo de um barco abraçado em um álbum de fotos. “Deve ter sido a única coisa que essa pessoa conseguiu levar. Em casa eu vi isso e comecei a chorar quando me dei conta da gravidade”, contou o comunicador. Ele também assistiu a uma mulher que voltou ao local de sua residência, porém não havia sobrado nada, apenas escombros. “A gente fica se perguntando: onde essas pessoas vão dormir? Onde vão viver?” 

O mais marcante, para Gabriela, foi ver as cidades devastadas pelo fenômeno climático. “Algo que eu jamais vou esquecer: casas arrancadas, árvores deitadas, carros revirados.” Mas, por outro lado, ela também lembra das pessoas que tentam auxiliar os mais afetados. “Tenho me emocionado muito vendo o trabalho dos voluntários. É muito grandioso ajudar a quem tu nunca viu na vida”, acrescentou.

Lado humano da profissão

Foi difícil para os jornalistas segurar a emoção durante as entrevistas. Guilherme expressou o que sentiu durante as gravações,enquanto eu estou coletando depoimentos eu até consigo me segurar um pouco, para poder manter a concentração no trabalho. Mas, depois, quando voltamos para o carro e a gente começa a recapitular, não tem como não ficar abalado com tudo o que vemos”.

Gabriela disse que nesses momentos é difícil ser profissional. “Não somos robôs, e os sentimentos afloram mesmo”. Ela também ressaltou a complexidade desse tipo de cobertura para um profissional da imprensa, por tratar da vida de tanta gente. “Não são só números, são pessoas que perderam seus lares, suas rotinas, seus trabalhos, amigos, parentes. É uma cobertura de uma sensibilidade que vai muito além da notícia. Por isso, ela se torna tão difícil para nós”, completou.


Na última semana, o Rio Grande do Sul foi atingido por um ciclone extratropical, que resultou em enchentes em diversas localidades. Desde então, a imprensa gaúcha trabalha para levar ao público informações sobre os acontecimentos, além de mobilizar uma corrente do bem para ajudar as famílias afetadas, especialmente no Vale do Taquari. Nesta série especial, Coletiva.net acompanha o trabalho dos jornalistas que mostram ao Estado e ao Brasil a dimensão desta tragédia.

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