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Exclusivo: Pedro Ernesto Denardin comenta a participação em série da ESPN

Narrador do Grupo RBS foi protagonista do terceiro episódio da atração especial que comemora os 100 anos do rádio no Brasil

Em comemoração ao centenário do rádio no Brasil, a ESPN preparou uma série documental com os “big five” do radiojornalismo esportivo nacional. Ao lado de José Carlos Araújo, José Silvério, Milton Neves e Osmar Santos, o narrador do Grupo RBS Pedro Ernesto Denardin representou o Rio Grande do Sul no programa especial. O terceiro episódio, dedicado ao gaúcho, já foi disponibilizado no streaming Star+, e a equipe de Coletiva.net procurou o radialista para saber como foi a experiência.

As gravações tiveram início em 12 de março, com a captação de Pedro na narração da partida entre Grêmio e Ypiranga de Erechim, na Arena do Grêmio, pela última rodada da fase de classificação do Gauchão. No entanto, não foi somente o futebol que pautou a equipe da ESPN. “Ficaram bastante tempo comigo e procuraram pegar todos os aspectos, já que eu sou uma pessoa múltipla: narro, apresento, canto, planto verdura”, relatou o jornalista. Para tanto, além de conferir a plantação orgânica no seu sítio, os repórteres ainda tiveram a oportunidade de ver um show do conjunto musical tradicionalista do comunicador em Nova Santa Rita. 

Porém, um dos momentos mais marcantes foi proporcionado pela própria equipe da ESPN, que trouxe, de Candelária a Porto Alegre, um grande fã de Pedro: Vinicius Mohr, de 39 anos, que é deficiente visual. “Foi bem emocionante, pois você vê que ali tem uma pessoa que gosta do teu trabalho e te imita. Foi uma surpresa que fizeram para ele. Estavam na orla e depois eu apareci, cheguei perto e disse: ‘É verdade que tu sabe imitar o Pedro Ernesto?’”, contou. O encontro também rendeu um convite para o admirador visitar o Grupo RBS.

Trajetória em números

Desses 100 anos celebrados pelo rádio brasileiro em 2022, Pedro faz parte de metade dessa história. Em março de 2023, o comunicador celebrará oficialmente o cinquentenário da carreira, construída quase que inteiramente dentro do Grupo RBS. “Narro futebol desde os três anos: gostava de jogar bola e ficar descrevendo o que fazia. Então nunca pensei em ser médico, engenheiro ou dentista, eu queria ser narrador de futebol. E consegui trabalhar  em uma rádio que hoje deve ser a mais importante do Brasil no departamento esportivo”, afirmou. 

Pedro considera que, em termos de cobertura esportiva, não há nenhuma rádio brasileira que trabalhe melhor do que a Gaúcha: “Não estou querendo aparecer, estou falando de resultado”. Foi pela emissora que o narrador já participou de 11 Copas do Mundo, o que lhe rendeu – junto com os jogos pela Libertadores e Sul-Americana – sete passaportes bem recheados. “Já fui até o Japão para ver Grêmio e Inter serem campeões”, citou. E, em novembro, ele espera chegar ao décimo segundo Mundial de Futebol.

Em 23 de março de 2022, Pedro adicionou mais um marco na carreira: fez a narração do seu 100º Grenal. “A gente torce, vibra e sofre. Recebo bem quando as pessoas dizem que eu as emociono com o meu trabalho, porque sinto que estou fazendo algo que tem relevância para a vida delas”, contou. Por outro lado, o radialista entende que ainda existe uma parcela do público que não se sente assim. “Há quem não goste de mim, mas não tem problema”, falou.

Com um DVD e mais oito CDs de música gaúcha gravados, o comunicador ainda celebra os 12 shows já contratados para a Semana Farroupilha. Segundo Pedro, ele realiza uma média de 30 apresentações por ano. “Subimos no palco e ficamos bem exibidos”, brincou. Pedro afirmou que prefere estar em atividade, seja narrando ou cantando. “Enquanto eu tiver saúde, prefiro trabalhar. Vou me aposentar pra quê? Encher o saco da mulher?”, indagou.

“É demóóóóis!”

A pedido da reportagem do portal, Pedro compartilhou a origem do famoso: “É demóóóóis!”. O bordão se originou em 2006, na final da Libertadores entre Inter e São Paulo, no Morumbi. “Nesse dia, o Internacional venceu de dois a um e quando eu narrei o segundo gol me veio essa expressão: ‘Demaaaais!’. Eu ainda completei dizendo que o Inter rasga a camisa do São Paulo e pisa em cima, deu uma confusão danada”, relembrou. Ao retornar para a rádio, os colegas começaram a usar a expressão para brincar, foi quando decidiu adotar o dito.

Ele considera que, ao dizer que Grêmio ou Inter são “demóóóis”, é uma forma de tocar o torcedor. “Hoje eu saio na rua e tem gente que grita: ‘É demóóóis’. Então já sei que está se dirigindo a mim. E a RBS ainda bota com ‘ó’, dizem que sai assim, mas eu digo com ‘a’”, explicou.

Fazer o melhor

De tantos jogos que já narrou, Pedro é incapaz de definir qual seria o mais emocionante. No entanto, ele aponta um fator comum em todas as suas coberturas: o respeito pelo ouvinte. “Pode ser que tenha uma pessoa só me ouvindo, mas eu tenho que dar o meu melhor”, declarou. É isso o que espera seguir fazendo, enquanto a saúde não lhe faltar. “Esses dias me disseram: ‘A RBS já tirou fulano e ciclano, vão te tirar também’. Claro que uma hora vão, não vou ficar lá 200 anos e também não sou mais ‘guri’, tenho meus limites”, ponderou.

Para Pedro, a vida é feita de fases e ele enxerga muito potencial nos novos narradores que estão surgindo. “São profissionais espetaculares!”, expressou. Ele ainda relatou que se enxerga nessa nova geração, quando, por volta dos 23 anos, chegou à rádio Gaúcha e encontrou referências que já se foram. “Daqui a pouco, deu para a minha turma também. Não estou querendo sair, mas temos ciclos e espero que eu consiga prolongar o meu o tanto que der”, finalizou.

 

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