Como parte da programação oficial da Semana ARP, na noite desta quarta-feira, 26, a Fábrica do Futuro recebeu o fundador e CEO da Galeria.ag, Eduardo Simon, para uma palestra sobre ‘A Nova Era de Ouro da Propaganda’. Na presença da diretoria e de membros da Associação Riograndense de Propaganda (ARP), gestores e profissionais da área, ele trouxe insights sobre o futuro e as transformações do mercado publicitário. E a reportagem de Coletiva.net esteve presente para acompanhar o encontro.
O encontro, que teve patrocínio da Integrada e da TideBreakers, começou com o questionamento: “Será que estamos em um mercado que tem futuro?”. Para o executivo, o momento atual é um “tempo especial para quem é capaz de entendê-lo”, repleto de transformações, embora estas ocorram em um “ritmo alucinante”. Embora circulem muitas previsões negativas a respeito da Publicidade, o que Eduardo ilustrou por meio de manchetes retiradas da imprensa, ele entende que, paradoxalmente, “tudo é Comunicação”.
No entanto, quando muitas marcas falam ao mesmo tempo, há ruído. Sobre isso, ele apresentou o ‘Paradoxo da Escolha’, que diz que, quanto mais opções o cliente recebe, mais ele sofre para tomar uma decisão. “O consumidor é impactado por tantas marcas que ele tem dificuldade de escolher. Nunca foi tão complexo, técnico e necessário o que cada um de nós aqui faz todos os dias. E o que fazemos precisa ser mais valorizado do que está sendo hoje”, defendeu.
Seis tendências que estão transformando a Publicidade
Durante a fala, Eduardo também apresentou seis tendências que, na visão dele, estão transformando o mercado publicitário. A primeira delas é: ideias se transformam em conversas. “Antes, a Publicidade era um monólogo. Hoje, quando uma ideia é boa, as pessoas passam a falar dela”, afirmou. Segundo o executivo, um dos melhores indicadores de que uma campanha funcionou é quando ela passa a fazer parte das interações entre as pessoas.
A segunda e a terceira funcionam como uma via de mão dupla: marcas dialogam com o entretenimento e o entretenimento dialoga com as marcas. “As empresas passaram a investir em experiência, gerando mais interesse”, explicou. Na outra ponta, ele trouxe o exemplo da Netflix, que, recentemente, firmou uma parceria com o McDonalds para a série Stranger Things, com uma campanha assinada pela Galeria.ag. “É vantagem para a plataforma usar as marcas para divulgar suas séries”, pontuou. Além disso, esse tipo de ação mexe com a força dos fã-clubes, gerando uma troca de influência.
Outra tendência está na atenção ao potencial das trends, o que, para Eduardo, é algo muito difícil de se fazer. “É preciso aprender a trabalhar rápido e agarrar as oportunidades. Elas acontecem o tempo todo e geram muito mais conversa do que uma campanha”, destacou. Já o quinto ponto se refere a marcas assumindo o papel de publisher. Isso ocorre quando as empresas se propõem a trazer algum assunto de forma relevante.
Por último, ele defendeu menos transações e mais propósito. De acordo com o CEO, a venda só faz sentido na ponta do funil e, fora isso, não tem sentido falar apenas do produto. “É preciso saber conduzir a Comunicação de forma que ela mexa com a emoção, que conecte com o público e traga o ponto de vista da marca. Isso torna a ação mais memorável”, salientou.
Inteligência Artificial
Ele encerrou a palestra com uma provocação sobre um tema muito pulsante entre os líderes e profissionais da Comunicação: “A Inteligência Artificial vai destruir a nossa profissão?”. Sobre isso, ele citou um estudo feito pela Wharton School, escola de negócios da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Mais de 400 participantes foram convidados a criar histórias, ideias e soluções. Primeiro, eles não usaram o ChatGPT e depois puderam usar. “As pessoas que tiveram as melhores ideias sem a IA também tiveram vantagem ao usar a plataforma. Ou seja, quem tem mais repertório criativo usa melhor a Inteligência Artifical”, pontuou.
Para Eduardo, a IA não é capaz de sonhar, pois quem faz isso é o ser humano. Além disso, ele avaliou que o uso excessivo dessa tecnologia pelas marcas está reduzindo a qualidade das entregas publicitárias, o que é uma vantagem para agências e profissionais que querem ir no caminho contrário. “A Inteligência Artificial ajuda a viabilizar um sonho que não seria possível sem ela. É uma ferramenta. A nossa profissão continua sendo encantar os clientes com ideias que resolvem os problemas que eles precisam que sejam resolvidos”, finalizou.

