Daniela Cidade: A boa filha a casa torna

Coordenadora da Assessoria de Comunicação e Marketing da Rede Marista, ela relembra os 20 anos de profissão e fala das suas paixões

Daniela Cidade - Divulgação

A nova coordenadora da Assessoria de Comunicação e Marketing dos colégios e unidades sociais da Rede Marista, Daniela Firmino Cidade, faz jus ao ditado popular 'O bom filho a casa torna'. Adaptando para sua história pessoal e profissional, a jornalista, nascida em 5 de outubro de 1974, em Curitiba, no Paraná, recorda que sua relação com a instituição vem da infância. "O colégio Marista de Santa Maria foi minha primeira escola. Recordo das idas para a aula, eu e meu irmão mais velho, o Rafael", conta, relembrando que seu retorno "é um presente, porque eu reencontro esta menininha indo para a primeira escola. São ótimas recordações".

A filha do meio do administrador João Cidade e da dona de casa Ana explica que, em função do trabalho do pai, que atendia à Região Sul, nasceu no Paraná e morou em alguns municípios do interior e sua vinda para o Rio Grande do Sul se deu ainda na infância. Casada há 20 anos com o empresário José, conheceu o futuro marido na juventude. "Quando vim para Porto Alegre, ainda pequenininha, na terceira série, estudei na escola pública Dom Diogo de Souza, no bairro Cristo Redentor, e ele foi meu colega. Estudamos juntos por toda a vida, do terceiro ano do primário até o final", relata. Se separaram na faculdade, porque cada um escolheu o seu caminho, mas se reencontraram depois de poucos anos e começaram a namorar. Desde então, garante, não se desgrudaram mais.

O relacionamento teve frutos: Sofia e João, de 11 e 6 anos, respectivamente, e por quem os olhos da Daniela brilham ao falar que a vida gira em torno deles. "Atuamos como pais vigilantes, estamos sempre proporcionando mais do que coisas, experiências. Tudo para que eles enxerguem o mundo como ele é, com as adversidades e as complexidades que envolvem".

Família, amigos e música

Nos dias de folga, a irmã mais velha de Letícia tem dividido os estudos e a dissertação do Mestrado com o convívio familiar. Aos finais de semana, procura fazer as refeições com o marido e os filhos. Além disso, é possível vê-los andando de bicicleta ou jogando jogos de tabuleiro em casa. Outra atividade comum do quarteto são as séries ou programas de TV. Daniela também costuma passar parte do tempo vago com os amigos, aqueles que são além das relações profissionais. "Procuro encontrá-los para fazer esta conexão que é muito pessoal. Sou uma pessoa que gosta de ver e de contatar. Gosto muito de recebê-los em casa. Ao longo da minha vida inteira tentei e tento encaixá-los na minha rotina", orgulha-se.

Entre os hobbies de Daniela está cantar. Soprano no Coral Vozes do Porto há três anos, diz que foi buscar esta atividade de lazer, pois teve um momento na vida em que sentiu a necessidade de reaprender a ouvir. "O coral é um aprendizado gigantesco para este mundo em que vivemos, no qual as pessoas têm dificuldade em ouvir o outro. É um exercício de escuta muito refinado, uma experiência legal, de um grupo diverso que me traz a maior satisfação", compartilha.

Gremista, diz que gosta muito de correr na esteira da academia e compartilha que a comida favorita é qualquer uma que o marido prepare. "O José cozinha muito bem, faz bolo, pizza, comidas maravilhosas e eu sou supercomilona, por isso que a esteira (na academia) não faz muito efeito", confessa.

Declarando-se como cristã, informa que costuma frequentar a igreja católica. Nos últimos dois anos, foi muito à Paróquia N.Sª. de Mont'Serrat, onde Sofia fez a primeira comunhão. Já na infância e adolescência, costumava ir à Igreja Cristo Redentor, local em que fez catequese e primeira comunhão.      

Apaixonada por livros, busca viver em torno deles. Tem uma pilha ao lado da cama, outra no ambiente de trabalho e centenas deles nas prateleiras de casa. A preferência é pela literatura brasileira e latino-americana, e a Pantufa, sua gata siamesa de dois anos, é sua companheira de estudos e leitura. "Tenho um apreço grande pelos meus livros. Alguns autores que eu gosto guardo para que meus filhos leiam no futuro. Já apresentei certas coisas à Sofia, como o Diário de Anne Frank, por exemplo", cita.

Sobre gosto musical, diz que é bem eclética, com exceção de sertanejo universitário e funk. Amante da sétima arte, explica que os desenhos lançados assiste na companhia do filho. O último filme que assistiu foi Bohemian Rhapsody, que retrata a história de Freddie Mercury e da banda Queen.

Destacando-se como uma pessoa plural e bem dinâmica, confessa que não tem muitas manias, coleções e nem de grandes ídolos. Entre as qualidades, a transparência é uma das principais. "Às vezes, isso incomoda um pouco, mas não consigo ser diferente. Fiz 20 anos de terapia para ser quem eu sou e não abro mão. Sou bem resolvida comigo mesma", relata. Como defeito, diz que é impaciente e que sabe que fala demais. "Canto para não falar", desabafa. Uma definição? Energia! "Tenho muita vitalidade, vontade e principalmente ENERGIA", elucida.

Comunicação organizacional na veia

Formada em Jornalismo pela Fabico, da Ufrgs, em 1997, e pós-graduada em Marketing e em Comunicação com o Mercado, pela Faculdade São Judas Tadeu e ESPM, respectivamente, afirma que nestas duas décadas de carreira percebeu o crescimento da comunicação organizacional nas empresas. "Quando me formei, tínhamos foco em veículo e na Federal não tinha nenhuma disciplina sobre este tema", lembra, explicando que quando fez estágio na área de comunicação no Hospital de Clínicas, descobriu o universo da comunicação organizacional no mercado. "De lá para cá, só vi este mercado crescer e se desenvolver. Hoje, não me considero mais só uma jornalista, mas uma comunicadora, uma gestora de comunicação."

Depois de passar pela comunicação do Clínicas, estagiou na Secretaria de Cultura de Porto Alegre, onde trabalhou com Carmem Jasper. "Foi quando conheci e participei de muitos eventos culturais bacanas, como Porto Verão Alegre e Carnaval".

Entre 1999 e 2000, foi contratada pela primeira coordenadora de Comunicação da Triunfo Concepa, Daniela Cunha, para fazer um freela de Verão. "Foi ali que começou a minha história, bem longa, de idas e vindas, com a concessionária. Trago memórias incríveis daquele período, pois fiz plantões gigantescos com pessoas que são meus amigos até hoje", falou, citando colegas de profissão, como Jocimar Farina, Rafael Colling, Marcelo Matusiak. Antes, porém, trabalhou no Epcom - Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação, então liderado por Daniel Herz e Pedro Osório

Passou em uma seleção para Prefeitura de Gramado, em 2011, e ficou lá por dois anos. Trabalhou com foco no Natal Luz de Gramado e nos passeios pelo interior da Serra, e, em 2003, foi chamada para assumir efetivamente a coordenação de Comunicação da Triunfo Concepa, cargo no qual ficou por cinco anos. "Neste período, criamos a Radiovia Free Way, lançamos o primeiro manual de relacionamento com a imprensa e implantamos as câmeras na estrada", lista os feitos.

Teve passagens, ainda, pela Gerdau, que destaca como uma escola, um aprendizado gigantesco. Também assumiu a diretoria de Marketing Cultural da TV e FM Cultura. Quando estava em licença-maternidade do caçula, foi chamada para retornar à Triunfo Concepa, dessa vez, para assumir a área de Comunicação, Ouvidoria e de relacionamento e SAC. De lá, saiu quando a empresa encerrou as atividades, em novembro de 2018. "Gosto de dizer que foi minha maior escola. Foi a empresa em que estive por mais tempo e consegui me desenvolver."

Acreditando no trabalho

Em 2015, enveredou para o mundo acadêmico, cursando Mestrado na PUC em Comunicação Organizacional com viés de comunicação pública. "Tive que ir devagar, para compor com as tarefas de trabalho, mas, agora, encerro esta etapa", planejou. Também dá aulas em alguns cursos de pós-graduação e é diretora do Capítulo Aberje no Rio Grande do Sul, há dois anos. "Acredito muito no que fazemos, de que as organizações precisam abrir frentes de diálogo e necessitam de profissionais de comunicação completos, que olhem para estas oportunidades e estabeleçam relações", declara.

Trabalhando há um mês na Rede Marista, ressalta que ganhou um presente e que está muito feliz com este novo desafio. "Uma das comunicações que sempre me chamou atenção e que admirava era a dos Maristas, com toda história e trajetória. Baseado nos valores da instituição de presença e humildade que eu, realmente, valorizo e que têm muito a ver com a minha vida."

Sentindo-se realizada, enfatiza que é completamente feliz com o que recebeu da vida, com as oportunidades e os aprendizados. "Não abro mão de ser exatamente quem sou. Sou realizada, pois estou satisfeita assim", assegura. Sem ídolos, fala que sua inspiração é em Oprah Wrinfrey: "Acho que o dia a dia mostra um pouco o quanto as pessoas podem ser admiráveis e que tu não precisa ter alguém lá, em outro patamar. A não ser que entre no lastro da fé. Aí sim, Jesus Cristo é o meu ídolo", finaliza. 

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