Agência Radioweb: Maior de idade

Empresa, que completa 18 anos em agosto, tem como diferencial credibilidade, e um ambiente familiar e colaborativo

 

Dede outubro de 2018, a Agência Radioweb está de casa nova. A sala, localizada na Rua Francisco Ferrer, em nada se parece com a primeira sede da empresa, lá em 2001, que era, na verdade, uma dependência de empregada no apartamento de um dos diretores e o idealizador  da negócio, Paulo Gilvane. De lá para cá, muitas coisas mudaram.

Um ano depois do seu surgimento, a empresa mudou para uma sala de 40m², no Bairro Teresópolis, sem isolamento acústico no estúdio, no qual, para gravar, era preciso fazer silêncio e torcer para que o telefone não tocasse. Dois anos depois, foi a vez de se mudar para a Rua São Manoel, no Bairro Rio Branco, ganhando estrutura com dois estúdios e o tão esperado isolamento acústico, onde permaneceu até a última mudança recente.

Agora, o espaço, no segundo andar do prédio dividido com a Agência Bistrô, é moderno e conta com uma decoração que lembra o nome da empresa, uma agência e uma rádio. Ao abrir a porta de vidro, que separa as empresas vizinhas, é quando se depara com uma grande sala, com móveis formando uma ilha, onde se dividem as coordenações e redações de jornalismo e online. Ao fundo, um móvel com um rádio portátil, e à esquerda um estúdio e um mural de emojis com frases como: "Tá de plantão? Ninguém mandou não estudar", entre outras brincadeiras.

Mais ao fundo da sala, se avista uma prateleira com diversos troféus e um armário com um aparelho de rádio antigo, e à esquerda, está a sala do administrativo-financeiro. Dividida por uma parede de vidro com a logomarca da empresa, a sala dos diretores é composta por uma grande mesa de reuniões, alguns equipamentos de rádio, uma televisão e um armário. Na parede, a decoração conversa totalmente com o ambiente: tem ondas de rádio desenhadas.

Web com fio

A equipe de Coletiva.net visitou o local justamente no dia em acontecia uma reunião para definir o novo site, que comemora, no próximo 23 de agosto, os 18 anos da empresa. A sua estreia aconteceu durante a primeira edição do Fórum Social Mundial, quando Paulo Gilvane, que, na época, trabalhava na Rádio Gaúcha, cobriu ao lado da atual sócia, Caroline Mello. Na oportunidade, era também sócia Daniela Madeira, que transmitia as reportagens produzidas, por telefone, para as rádios do Rio Grande do Sul.

Quando terminou o evento, eles tinham 90 rádios que utilizaram o conteúdo, surgindo assim o modelo de negócios da empresa. Em agosto daquele 2001, o jornalista deixou o Grupo RBS e, no dia 23 do mesmo mês, foi ao ar o primeiro site da Agência Radioweb. Esta, aliás, apesar do nome, ainda operava basicamente por telefone, uma vez que a maioria das rádios não tinha Internet. "Nós passamos ser web mesmo três anos depois, quando surgiu o ADSL", explica Paulo Gilvane. No mesmo ano, 2004, a empresa iniciou operação em Brasília, contando então com o quarto sócio, o jornalista Geanoni Mousquer. Em 2007 foi a vez de Dani, como é chamada pelos amigos, transferir-se para São Paulo, para atuar como diretora da empresa para a Região Sudeste.

Hoje, a Radioweb ainda conta com sede em três estados, além de repórteres fixos no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Pará. "Somos a principal agência de notícias para rádios, produzindo conteúdo e distribuindo, em arquivos mp3, para 2.200 emissoras", enaltece o diretor, que lembra, também, que a empresa tem uma média de 14 mil downloads por dia no site e 70 prêmios de Jornalismo, o que entende contribuir muito para a credibilidade.

Credibilidade e paternalismo

Atualmente, a empresa conta com 50 pessoas trabalhando. Destas, 15 atuam diretamente na sede de Porto Alegre e 32 são jornalistas. "Além da credibilidade que conquistamos, o fator humano aqui também é muito forte. A rotatividade de pessoas é muito pequena", comemora Paulo Gilvane. O diferencial tecnológico também é destacado pelo "chefe", como ele é carinhosamente chamado pelos funcionários. "O que nos orgulha muito é a credibilidade. A empresa é o reflexo dos sócios e somos muito paternalistas, e sabemos o quanto isso reflete aqui na empresa."

No dia dos aniversários, tanto dos funcionários quantos dos filhos, eles têm day off. Inclusive, se cai no fim de semana, os funcionários podem tirar a folga na segunda-feira. "As pessoas gostam de trabalhar aqui e se sentem bem. Temos um clima de harmonia e uma relação de cooperação e troca", celebra o chefe. Ele define a empresa como uma filha, e Daniela contribui dizendo que a empresa é a alma que tem em seu DNA: a paixão, credibilidade e o relacionamento interpessoal.

Mau-humorada mais bem-humorada

Uma das principais personagens da empresa, segundo Paulo Gilvane, é a coordenadora de Jornalismo da Região Sul, Mariana de Freitas, mais conhecida como Mari. Funcionária mais antiga da empresa, é chamada pelo chefe de mal-humorada mais bem-humorada. "Até quando ela está de mau humor, ela é engraçada", explica. Mari coordena seis repórteres, três que ficam na redação, um na Assembleia Legislativa e dois que são da equipe de Esportes em São Paulo.

Conheceu Paulo Gilvane quando ainda era do setor de rádio-escuta da Prefeitura de Porto Alegre, mas a oportunidade na empresa só aconteceu quando a diretora Caroline Mello viu uma foto dela no convite de formatura e a convidou para cobrir a Caravana da Agricultura Familiar, com o então presidente Lula, pela Região Sul, em 2001, e desde então nunca saiu da empresa. "Eu estou aqui a vida inteira", brinca.

Concordando o chefe, destaca que, na Radioweb, é muito difícil se demitir pessoas, geralmente saem para fazer outras coisas. "Mantemos uma relação muito boa com os profissionais que já passaram por aqui. Para mim, a Radioweb é uma empresa jornalística feita por jornalistas, e que está sempre de portas abertas", celebra.

Atualmente, a rotina de trabalho na coordenação faz com que chegue na redação às 10h, dividindo-se entre a revisão do site; o projeto sem erro, que é de escuta dos boletins; a pauta do pessoal da tarde; o atendimento a clientes; e, eventualmente, o fechamento de matérias. Devido à dificuldade de logística com todos os jornalistas, não faz reunião de pauta, mas debatem assuntos no dia a dia, diariamente, com quem está pela redação.

Prata da casa

Cristian Pheule chegou na empresa como estagiário, em 2013. Após se formar, trabalhou na Rádio do Tribunal de Justiça por dois anos até ser chamado para ser coordenador de Rádios Online, cargo que exerce há três anos na Radioweb. A rotina de trabalho diária inclui coordenar 15 pessoas, fazer atualizações das rádios, relacionamentos com os clientes e demandas com alteração na programação ou especial.

Para ele, a contribuição da empresa na carreira é gigantesca e cita a ex-chefe e hoje colega de coordenação Mari como alguém que contribuiu bastante para o seu crescimento e desempenho, assim como Dani. "As duas são minhas mentoras. O chefe viaja muito e acabamos tendo um contato mais ocasional, mas não menos importante", avalia. Já as colegas Sílvia e Deise, do administrativo-financeiro, são as companheiras de "pegar no pé do pessoal", explica, elogiando o ambiente de trabalho. "O diferencial é de um ambiente colaborativo. Aqui, não tem competição entre setores, e isto é muito legal."

Das situações engraçadas que já viveu na empresa, Cristian lembra que uma colega ficou presa no estúdio, na sede antiga, e que tiveram que chamar um chaveiro para tirá-la lá de dentro. Mesma situação vivida pelo chefe, que ficou preso na outra sede. "Todo mundo foi embora e não viu que ele ainda estava na sala. Para ser socorrido, usou o grupo de WhatsApp", recordam as meninas do administrativo Aline Fraga, Deise Pavani e Sílvia Coelho, que já atuam no local há 14, 10 e quatro anos, respectivamente. Companheirismo, amizade e parceria são definidos por elas como o diferencial da Radioweb.

Estagiário-repórter

Assim como Cristian, o repórter Diego Gustavo Brião está em sua segunda passagem pela rádio, a primeira foi como estagiário, em 2012, retornando na mesma função em 2015 e sendo efetivado para a função atual em agosto de 2016. Na época, foi indicado por um colega para a vaga de estágio e diz que ali aprendeu mais do que dentro da sala de aula, primeiro acompanhando o trabalho dos colegas e, agora, exercendo a função de repórter.

Das situações de grande relevância que viveu dentro da agência, destaca a menção honrosa no Prêmio ARI de Jornalismo, por uma série especial que fez para rádio e a cobertura da tragédia da Chapecoense. "Estes foram dois momentos de grande aprendizado. Uma experiência tremenda", recorda. Entre as referências, destaca todos os colegas com quem pôde aprender, mas em especial a coordenadora Mari, ressaltando também a empresa como familiar e colaborativa.

Os elogios são reforçados pela simpática senhora, que, tímida, observa a entrevista com curiosidade. Dona Maria, irmã de criação de Paulo Gilvane, diz que ela foi a primeira sócia dele. É com orgulho que ela afirma que acompanhou desde o início a trajetória, ainda na casa dele. "Não foi fácil, mas, graças a Deus, ele venceu e hoje está onde está. Nada disso seria possível se não tivesse esta equipe maravilhosa, que veste a camisa e faz acontecer", garante.

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