Comendo poeira

Por Flavio Paiva

As organizações (e ainda são muitas) que não entenderam que vivemos (mas de fato, não apenas no discurso) uma nova era com agentes interagindo de forma efetiva com uma sociedade mais participativa e exigente em questões ambientais, de participação e engajamento, proativas, colaborativas, estão fadadas a comer poeira. Pode demorar um pouco ainda, mas fatalmente estarão com a boca cheia de poeira e isto não será bom.

A empresa efetivamente conectada ao seu tempo procura seus públicos, não mais os espera, os envolve, ouve, considera suas opiniões e posicionamentos. Isto se torna muito mais fácil e até barato através das inúmeras ferramentas tecnológicas disponíveis que permitem não apenas ouvi-los, mas medir toda e qualquer opinião dentro de um contexto amplo e consciente.

Muitos me dirão que até eliminarmos os canudinhos de plástico, não estaremos neste patamar. Primeiro que se for para eliminar (o passo poderia ser conscientizar os clientes e empresários (produtores e aqueles que vendem para o usuário final) da forma correta de sua utilização), há inúmeros produtos sendo vendidos no Brasil em larguíssima escala, bem como em países do 3º Mundo, que são total e absolutamente incorretos do ponto de vista ambiental: são eles sacolas plásticas de supermercado, as "ecobags" que algumas redes de supermercado vendem ou entregam gratuitamente aos seus clientes e que têm um processo produtivo e de decomposição absolutamente poluente. Segundo, que há milhões de garrafas PET nos oceanos e rios, enfim, há tanto produto incorreto ambientalmente que há a necessidade deste envolvimento e conscientização de que falei.

Envolver e ouvir os clientes, porque jovens e crianças estão sendo formados nas escolas com uma visão muito mais participativa (tanto do ponto de vista de colocar em pé uma organização com fim específico) e consciente ambientalmente.

Participação. Engajamento. Olhos e ouvidos. Porque o consumidor do século XXI está conectado ao seu tempo e isto envolve saber de forma quase instantânea o que está acontecendo na França, nos Estados Unidos, na China, na Rússia, no Japão. Isto significa saber o que está ocorrendo em termos políticos, sociais e econômicos. E uma das vantagens de uma sociedade conectada globalmente é exatamente esta: as boas práticas servem de inspiração e modelo para um posicionamento mais ativo (falo de ruas, não apenas de redes sociais e de sofá) e exigente.

Prosperarão aquelas organizações que souberem compreender que o novo pacto entre elas e seus clientes envolve tudo isto. E muito mais. Numa época de fintechs, apps, conexão global, desenvolvimento acelerado, transporte por aplicativos, o papel das empresas é provocar (no bom sentido, óbvio), chamar para a conversa, e sempre, independente de seus clientes, ter uma postura absolutamente cooperativa e responsável, além de pertencer  à vanguarda tecnológica.

Comer poeira não deve ser bom. Fazer poeira, já que falei tanto em ambientalmente correto, também não precisa. Mas a exemplo de filmes futuristas em que a sociedade literalmente se mata por água, só sobreviverão empresas e mesmo clientes que souberem o que fazer e, tão importante quanto, como fazer.

Envolva, ouça, provoque, instigue. E então você abre uma vereda (com o perdão da palavra tão antiquada, mas numa licença poética) em seus caminhos.

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