Jornalista exige desbloqueio no Twitter por parte do presidente Jair Bolsonaro

Advogado do profissional impetrou mandado de segurança no STF

Após ser bloqueado no Twitter pelo presidente Jair Bolsonaro, o jornalista William De Lucca foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) exigir, por meio de mandado de segurança, o desbloqueio. O argumento é que este fere três princípios: censura a liberdade de expressão, pois impede a interação do jornalista com o chefe de estado; impede o acesso a informações, pois o presidente anuncia atos do seu governo pelas redes sociais; e restringe a atividade profissional do jornalista, que tem mais de 100 mil seguidores no Twitter.

Willian relata ter sido bloqueado, pois, em agosto, comentou em um post do presidente, o qual apresentava uma foto onde ele prestava continência à bandeira dos Estados Unidos. Na mensagem, o jornalista escreveu: "Você está bem preocupado com interesses externos, né?". Pela mesma rede social, o profissional citou que um presidente não pode restringir o acesso à informação e liberdade de expressão de pessoas que não concordem com o mesmo viés ideológico do mesmo. "Bolsonaro não pode suprimir opiniões diferentes das suas de suas redes porque as redes de mandatários são espaços de debate democrático", criticou.

Antônio Carlos Carvalho, advogado de Willian, comenta que uma decisão favorável será um marco na liberdade de expressão, principalmente pelo novo contexto das redes sociais e também por causa do atual momento político. Na defesa, o representante se baseou numa recente decisão da Justiça dos Estados Unidos, que mandou que o presidente norte-americano, Donald Trump, desbloqueasse sete pessoas de suas redes sociais.

A inicial foi protocolada e já distribuída na última semana. A relatora será a ministra Carmen Lúcia.

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