Gilberto Leal: O mais antigo

O repórter e professor, apaixonado por automobilismo, contagia a todos com seu otimismo permanente

A trajetória deste jornalista sempre foi impulsionada por duas paixões: carros e jornalismo. Porém, sem seu principal lema, "dedicação", provavelmente Gilberto Oliveira Leal não teria alcançado todos os êxitos e realizações ao longo de 35 anos de carreira. Não é à toa que Gilbertinho, como é carinhosamente tratado pelos amigos e colegas, é tão admirado e respeitado na redação de Zero Hora - corre até a idéia de que ele seja homenageado ainda este ano com o título de "Jornalista mais antigo de ZH". Nada é páreo para este profissional que, com sua garra e determinação, contagia qualquer pessoa que conviva pouco mais de 15 minutos com ele. Gilberto formou-se em Jornalismo em 1972, pela UFRGS, porém já no segundo ano de faculdade, em 1968, começou a trabalhar como repórter do programa Diário de Notícias, na TV Piratini. No ano seguinte, foi contratado para trabalhar no departamento de divulgação da TV Gaúcha. Logo, passou a atuar na produção de programas como "Sexta-feira 12" e "Puxe a Gaúcha". Em 1970, iniciou sua trajetória como repórter da editoria geral no jornal Zero Hora, onde este ano completa 34 anos de atuação e consagra-se como o jornalista mais antigo da casa. Paralelamente, continuou produzindo os programas da TV Gaúcha até 1973. Desde adolescente, Gilberto é apaixonado por automobilismo. "Eu gostava muito de competições, em função de um amigo meu, pois o pai dele era preparador de carros. Eu convivia com isso diariamente", conta.
Foi cobrindo as corridas de Fórmula 3, no Tarumã, que conseguiu aliar, pela primeira vez, a paixão por carros e o jornalismo. Com a entrada de Emerson Fitipaldi na Fórmula 1 e o crescimento da indústria automobilística, em 1973, Gilberto começou a fazer as coberturas das competições de F1. " Até a morte de Ayrton Senna eu assistia todas as corridas da Fórmula 1. Depois, eu nunca mais assisti", revela. Em 1979, foi convidado para integrar o corpo docente da Famecos - PUCRS, após concluir a Especialização em Administração Empresas Jornalísticas. Chegou a cumprir 20 horas semanais na faculdade, mas por problemas de saúde, foi obrigado a diminuir a carga horária. Atualmente, dá aulas das disciplinas "Técnica de Reportagem e Pesquisa" e Redação II". Para Gilberto, a maior gratificação é ver seus alunos alcançando sucesso na carreira de jornalismo, bem como ser colega de alguns deles. Com muito orgulho, ele comemora, este ano também, 25 anos de carreira como professor de jornalismo e sente-se cada vez mais honrado em contribuir para formação dos futuros jornalistas. "A experiência acadêmica é muito importante na minha vida. A convivência com os estudantes é extremamente gratificante."
Nestes 34 anos de Zero Hora ele já fez reportagens de todas áreas. Integrou a editoria de esportes, política, coberturas especiais, entre as quais destaca a construção da rodovia Transamazônica e Ponte Rio -Niterói. Em 1981, assumiu a secretaria de Redação de ZH e a edição de "Carros e Motos", página de automobilismo que era veiculada somente aos domingos. Em 1985, a página especializada foi transformada efetivamente em caderno dominical. Além da edição do caderno, o jornalista assumiu a produção do programa "Contagiros", da Rádio Gaúcha. Em 1993 o nome do caderno foi substituído por "Sobre Rodas", do qual Gilberto é editor desde então. Hoje, também é responsável pela edição do caderno de Veículos e apresentador do programa Carros e Motos, veiculado todas segundas-feiras, na TV COM.
O jornalista que virou consultor
Ser o editor do caderno de automóveis já rendeu a Gilberto inúmeras viagens para realizar reportagens e testes dos lançamentos de carros. Foram tantas, que ele próprio fica ansioso ao detalhar. O jornalista percorreu praticamente o mundo inteiro e destaca lugares como Finlândia, Israel, Egito, Jordânia, Deserto do Sinai, Suécia, Japão e Petra. Além de ter sido uma das mais entusiasmantes, a viagem para Petra fez com que Gilberto se sentisse o próprio Indiana Jones. "Eu, como gaúcho, jamais tinha andado a cavalo. Lá, fiz o mesmo percurso a cavalo realizado pelo personagem no filme ""Indiana Jones e a última cruzada", relembra com orgulho. Gilberto também cobriu inúmeras vezes o Salão do Automóvel, em Detroit, Frankfurt e Genebra. No entanto, ele salienta que ainda faltam países que gostaria de conhecer: Austrália, Nova Zelândia e China.
Não são só as viagens que são frutos da especialidade de Gilberto. Consultas sobre compra, venda e fabricantes de carros são feitas constantemente. E ele é consultado sobre automóveis de diversas maneiras: lá mesmo na redação do jornal, pelos colegas jornalistas, por leitores através do telefone e, principalmente, por e-mail. "Eu não me importo, gosto muito do que faço e vivo em função disto", diz.
Fora das pistas
Em 2001, ao realizar exames de rotina, Gilberto descobriu um tumor. Por conta do problema, teve que afastar-se por algum tempo de suas atividades tanto na redação de ZH como da Famecos. Revelando disposição e vontade de viver admirável, Gilberto Leal não tem constrangimento algum ao falar sobre o assunto. Pelo contrário, faz questão de detalhar as dificuldades e as "ironias do destino". Quando estava praticamente curado, no mesmo ano, sofreu um assalto e levou um tiro na barriga, atingindo alguns órgãos internos. Recuperado do susto, Gilberto emociona-se ao contar o ocorrido e ainda brinca dizendo que já renasceu três vezes. No ano passado, foi submetido a uma cirurgia e atualmente faz quimioterapia preventiva. Dos contratempos, Gilberto tirou várias lições de vida e admite que houve muitas mudanças positivas em sua vida. "Mudaram meus valores, perspectivas de vida, atitudes, enfim, meu jeito de viver. O que me ajudou muito nesta época, sem dúvida, foi o meu trabalho", revela. Por tudo, garante que sua filosofia de vida é "viver o hoje intensamente, sem pensar no amanhã". Fazendo jus ao lema, nas horas de folga, além de descansar, aproveita para fazer os programas preferidos, como ir ao teatro, cinema e espetáculos musicais. Em casa, gosta de escutar música e ler. E aí suas preferências são obras acadêmicas e livros de jornalismo, pois, como ele diz: "Preciso ler antes de recomendar para os alunos".
Nos fins de semana, quando tem disponibilidade, viaja para o litoral gaúcho, onde tem uma casa. Lá, Gilberto quer, além de sombra e água fresca, fazer churrasco - única especialidade dele na cozinha. "As pessoas aproveitam as férias para viajar. Eu, como viajo durante o ano inteiro, aproveito para descansar", ironiza ele. Como atividade física, só pratica caminhada. Porém, adianta que irá fazer um recondicionamento físico, no qual praticará natação e musculação.
A aposentadoria sai este ano, mas Gilberto, aos 59 anos, destaca que nem pensou nisso ainda e que não pretende parar de trabalhar. Nos planos para um futuro próximo, a prioridade é reduzir o ritmo de trabalho. "Se me aposentar, com certeza continuarei trabalhando no jornalismo. Tenho muitas coisas para fazer ainda. Acho que posso contribuir mais com meu trabalho", revela. O jornalista não hesita em dizer que seu grande projeto do momento é se curar totalmente: "A única preocupação é com minha saúde". Para alcançar a realização profissional e sucesso, aí vai o conselho do mestre Gilberto Leal: "Quanto maior for o envolvimento e dedicação profissional, maior será o sucesso".

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