No Jornalismo não basta técnica

Por Gilberto Jasper, para Coletiva.net

Exercer a função de assessor de imprensa exige muito mais que conhecimento jornalístico. É preciso habilidades como relações humanas, sensibilidade e uma boa dose de humildade, um dos atributos mais raros em nossa atividade, embora a maioria não admita.

Assessor, consultor ou curador. Não importa o termo que foi aperfeiçoado ao longo do tempo. Sem "mancômetro" ou "sifragól" muitos profissionais acabam na fila do desemprego porque exageram na hora de dimensionar sua importância dentro da empresa ou de um gabinete político.

Ninguém é insubstituível, mas muitos colegas ignoram a importância deste mantra a cada nascer do dia. A convivência cria uma intimidade perigosa, o que causa miopia na hora de discernir os níveis de importância no ambiente de trabalho.

Li recentemente que "um assessor não é indispensável, mas deve tornar-se indispensável". Isso é resultado de uma construção gradativa e longa, conquistada com dedicação, relacionamentos e o hábito de fazer além do exigido. Conheço inúmeros colegas, com grande experiência e competência, mas com sérias dificuldades de relacionamento.

Talvez a diversidade de empregos que colecionei, ao longo de mais de 40 anos de jornalismo, ensinaram a encarar os colegas como parceiros de viagem, tipo aquelas das férias tão esperadas. Na hora do embarque, descobrimos que há companheiros do voo fretado que são verdadeiros chatos, ranzinzas contumazes, incapazes de conviver em grupo ou de abrir mão de seus gostos pessoais e vontades.

O dia a dia pode ser cruel com quem é brilhante profissionalmente, mas tem problemas de adaptação. A rotina também forja amizades, cria "cúmplices do bem", que não apenas auxiliam na lida diária, mas que, no futuro, nos indicam para novos projetos e empregos.

Profissionais com idade avançada, como é meu caso, precisam de disposição para apreender novidades ou cercar-se de gente jovem que domina as modernas técnicas, principalmente em relação às redes sociais. Costumo dizer que produzo conteúdo, mas não entendo nada de "embalagem".

Isto significa que não importa o tamanho do texto - seja para um post, twite ou um artigo de 2 mil caracteres - porque me adapto e considero o produto de meu trabalho indispensável. Tenho consciência, porém, que não prescindo de noções de ferramentas e instrumentos da evolução tecnológica. Sem esta sensibilidade é impossível sobreviver no mercado.

A exigência de ser multimídia - embora a contrapartida seja o "unissalário" - em um mercado cada vez mais restritivo e explorador levou muitos colegas ao desemprego. Manter-se produtivo é um exercício de sobrevivência que já arrastou inúmeras trajetórias belíssimas para o ostracismo.

Humildade, adaptação, bom relacionamento e permanente atenção às tendências do segmento talvez seja a fórmula para sobreviver no jornalismo. Antes da extinção de nossa atividade talvez testemunhemos o fim dos veículos como são concebidos hoje. E aí, sim, a crise será ainda mais devastadora.

Gilberto Jasper é jornalista.

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