Qual o limite da transformação

Por Flavio Paiva

Ao longo de milênios, o ser humano evoluiu à custa de adaptação. Esta adaptação, como diria Darwin, é a do mais apto, o mais capaz, dadas as circunstâncias do meio.

A questão que se impõe em tempos de tantas e rápidas inovações e mesmo transformações é: qual (não o limite em um tempo longo, pois o ser humano já deu mostras que sua capacidade é quase infinita) o limite da adaptação do ser humano diante de tanta transformação em tão curtos espaços de tempo? Porque, apesar de em sua maioria benéficas, as inovações têm ocorrido de forma extremamente veloz. Em algumas ocasiões, o ser humano é mesmo incapaz de perceber a rapidez com que estas mudanças vão se dando, ele só as sente. Entretanto, elas impactam de forma decisiva sua forma de viver e, o que é mais importante, de pensar. Mais do que de pensar, de fazer também. Das suas atividades pessoais e profissionais.

Até que ponto um advogado pode se transformar em piloto de drone, caso a sua profissão corra risco no futuro? E o quão rapidamente ele consegue fazer isto? Será o suficiente para atender às demandas de um mercado mudando em velocidade estonteante?

Porque por mais que estejamos atualizados com novas tecnologias, disruptivas, inovações, transformações, novos modos de fazer, vendo que profissões podem correr risco no futuro, qual o limite da velocidade do nosso cérebro para assimilar estas mudanças e passarmos a desempenhar um novo papel (e mesmo profissão) no mercado? Certo é que exploramos uma pequena capacidade de nosso cérebro, estaria o restante dela aguardando um momento em que tenhamos que nós reinventar profissionalmente de tempos em tempos (em intervalos cada vez mais curtos)? Além disto, quando uma profissão for extinta, não bastará o profissional se modernizar. Ele terá que atuar em outro segmento que nada tem a ver com o anterior, noutra função, com outra visão.

Peço ajuda a neurologistas, psiquiatras, psicólogos, sociólogos e antropólogos para nós responderem qual o limite desta adaptação em intervalos curtíssimos de tempo. Veremos.

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