Deu tela azul

Por Flavio Paiva

A tela azul a que me refiro é aquela mesma, que dava (ou dá) nos computadores quando tudo falha. Ou também pode ser aquela tela azul do final de programação de TV. O significado é que é. Significa que, ou estamos relaxados, ou aproveitando momentos de ócio (normalmente é criativo).

Mais do que isto: são momentos em que podemos estar com a falta de pauta. Muitas pautas vêm de problemas, conflitos, dores. Estes são poderosos motivadores, tanto para a inovação, quanto para inúmeros escritores ao redor do mundo desenvolverem sua atividade. Sim, é verdade que não só de conflitos ou dores surgem pautas. Podem surgir de discussões em torno de uma mesa, em que há uma ideia de construção de uma nova realidade. Sem dúvida.

Mas os conflitos e pontos de vista divergentes são poderosos anabolizantes para questionamentos (tal como faz a Arte) e reflexões, levando-nos a subir degraus na escala do pensar. E também no agir. Este é o objetivo.

Deu tela azul, fiquemos pensando em nada. Ou em tudo, pois, ao mesmo tempo em que o azul do céu nos leva a "voar", faz-nos pensar na imensidão, no todo, no quanto somos pequenos e no quanto há para explorar.

O azul do céu, assim como o do mar, são integradores. Fazem-nos ver que podemos, sim, ser parte insignificante do universo, mas de outra forma nos fazem crer portadores de um gigantesco potencial exploratório e de conexão com o todo, com o maior, com as verdades não exploradas.

Foi preciso que me desse tela azul para que eu fizesse toda esta linha de pensamento. E, se no computador a tela azul significava problema, ela pode também significar suavidade, gigantismo, o todo, a paz. Despertar todo o potencial explorador que há habitando em nós, em alguns mais escondidos do que outros, mas está lá. Move engrenagens e aciona chips que estavam parados, despertando o ser humano da ociosidade (neste caso, falo da negativa).

Torço e espero por muitas mais telas azuis na minha vida e na dos demais indivíduos, como potencializador das capacidades adormecidas, como uma luz que nos guia pelo mais. Torço para que chegue o momento em que eu esteja totalmente integrado à tela azul, sem barreiras ou qualquer tipo de interferência negativa.

Esta é uma coluna que viaja pelo azul do céu, querendo remeter o amigo e amiga leitores a viajar também, com asas e sem avião. Precisamos destas jornadas volta e meia, para nos descolarmos de quem somos e podermos enxergar melhor as perspectivas, as pessoas, os funcionamentos da sociedade e do mundo.

Esta tela azul veio no momento certo para mim. Além de servir de tema para a coluna, descolou-me de onde eu estava fazendo uma expansão total dos saberes e dos olhares, subindo um degrau ao menos. Bem vindo à tela azul.

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