Entre lives, rotina e observações

Por Grazielle Araujo

 Em tempos de confinamento, as "lives" quase que diárias estão sendo uma grande sacada. Todos se entretém, alguns ganham dinheiro, outros tantos doam. Uns se destacam como apresentadores e aqueles que viram que nasceram "apenas" para cantar. Nem todo cantor sabe ser desinibido sem plateia. Observação um. Nem todo artista domina tecnologias. Observação dois. A constante rotina de produção (tão bem feita) que acostuma a pessoa a chegar para "passar som" e depois entrar no palco). Observação três. Muita gente domina melhores ângulos de selfie e muitas outras ainda não sabem ser tão familiares diante de uma pequena câmera. 

 "Eu achei que esse negócio de live era fácil", disse o Luiz Carlos, vocalista do eterno Raça Negra, visivelmente nervoso e sem graça enquanto recebia orientações de alguém pelo ponto eletrônico. O cara sempre soube cantar e embalar para multidões, casais apaixonados, recém-solteiros e tantos outros que se encantam com tantos clássicos dos anos 90. Nas gravações para TV, sempre tem apresentador, teleprompter, bastidores e toda aquela organização ímpar. Tudo dominado. Daí o mundo inteiro - via YouTube - se conecta pra ver o encontro virtual.     

 Ele pode nem ter o alcance de quanta gente está assistindo e também não se deu conta que a câmera está o tempo todo ali, não há edição. Tá "ao vivo" em tempo integral, sem intervalo. E ainda precisa fazer publicidade de "app", ler comentários do "Twitter" com #, ligações de vídeo em tempo real, número de toneladas de alimentos, empresas que estão doando a todo instante (ufa!), quantas visualizações, comentários na transmissão, WhatsApp de famosos. Parecia fácil? Ao escrever essas últimas linhas perdi o ar em pensamento. Talvez um mestre de cerimônias seria a solução mais inteligente (e essa galera tá aí precisando retomar o trabalho já que os eventos estão suspensos). E faltou o detalhe que ele estava longe da banda, se comunicando por fone, com roteiros diferentes. Rendeu inspiração para essa semana. 

 Com microfone na mão, o cantor precisa virar multifunções. Sandy e Junior são incomparáveis e, por isso, um exemplo de excelência. Júnior ainda teve o cuidado de dizer que a produção foi bem "caseira", o Lucas Lima toda hora se cobrando para acertar o tom, Xororó de produtor. Foram quase três horas de entretenimento no sofá da sala, sem pausa. 

 Estamos vivendo muito "o novo" e com ele conhecendo ferramentas de uma geração com tecnologias incríveis ao alcance das mãos. Muitos se adaptam, alguns facilmente e outros com mais afinco. Estamos todos aprendendo muito com tudo isso. Quantas ferramentas descobri com o Home Schooling, ligações, videoconferências, lives. Sem contar o empenho de tanta gente em praticar o bem, trazendo e entregando o que pode, o que possui dom, o que sabe ousar. Tem quem costure, quem cozinhe, quem faça crédito bancário, quem comunique e quem transporte. Vamos saber ser pacientes com aqueles que estão aprendendo, conscientes que todos estamos usando mais telas e não há problema imediato nisso. O confinamento também está permitindo mais conexão - com os de casa e os de fé. 

Autor
Grazielle Corrêa de Araujo é formada em Jornalismo, pela Unisinos, cursa MBA em Comunicação Eleitoral e Marketing Político, na Estácio de Sá, é pós-graduada em Marketing de Serviços, pela ESPM, e com MBA em Propaganda, Marketing e Comunicação Integrada, pela Cândido Mendes. Atualmente é chefe de Comunicação Social na Casa Civil do Rio Grande do Sul. Também responde pela Comunicação Social da Sociedade de Cardiologia do RS (Socergs) e da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV). Tem o site www.graziaraujo.com

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