Obrigada por me acolher desde 2004

Por Márcia Martins

A semana é de comemoração dos 20 anos do Coletiva.net, portal criado em 1999 pelo José Antonio Vieira da Cunha, José Fuscaldo e o Luiz Fernando Moraes, meu amigo dos tempos de Pakuos. Mas, embora me considere desde sempre uma consumidora de notícias e, principalmente se o assunto envolver o setor de comunicação, foi só lá pelo mês de maio de 2004 que iniciei meu namoro definitivo ou infinito enquanto dure com o site. Naquele mês, assim como quem não quer nada (percebam que eu tinha sim segundas intenções) ofereci ao Vieirinha um artigo falando sobre um ano da morte de meu irmão caçula, o Luis Fernando Peçanha Martins, conhecido no meio publicitário como Dédi ou Luli.

Com a amabilidade que é uma de suas características mais marcantes, Vieirinha respondeu, por e-mail, que publicaria tal artigo. Sem saber, fez renascer em mim o gosto de escrever que eu deixara adormecido, anos a fio, por inúmeros motivos, trancado nas gavetas dos medos e das incertezas. E, a partir daí, pelo menos uma vez por semana, dava um jeito de enviar, sem compromisso, um artigo para o endereço eletrônico do Vieira, que nunca se negou a publicá-lo. Claro que eu também não pedia. Só oferecia o texto. E eu, fui me sentindo empoderada, importante, com algo a dizer, ou melhor, escrever.

E eis que, em 7 de junho de 2005 (dois dias antes do meu aniversário porque geminiana precisa sempre enfatizar a importância do seu nascimento), encontrei o Vieira na fila da sessão de autógrafos do livro Memorabília da Susana Vernieri, ex-colega de Zero Hora na Livraria Palavraria, que ficava ali na Vasco da Gama e fechou suas portas no final de 2016. De braço com a minha filha Gabriela, na época com 11 anos, fui me apresentar ao senhor que publicava com tanta delicadeza os artigos que eu enviava. Porque, até então, só falava com o Vieira por meio virtual. Para meu espanto, ali mesmo na fila, ele me convidou para ser colunista fixa do site. E diante da minha surpresa ao perguntar sobre o que deveria escrever, ele respondeu: "Obedece a tua intuição que está dando certo".

Sigo até hoje o seu conselho. Sentenciado enquanto a fila do livro da Susana não saía do lugar. Pelos leitores e leitoras que costumam interagir comigo, arrisco dizer que ou tenho mesmo jeito para escrever (como sempre disse a mamis Mirthô e eu sempre creditei à corujice materna) ou os assuntos que escolho chamam audiência. Evidente que não sou unanimidade e nem desejo. Já recebi críticas bem ásperas e grosseiras, mas um bom escritor precisa saber conviver com tudo (vocês compreendem, nesta fase da coluna que eu "tô me achando" não é?).

Não tenho um tema fixo. Às vezes, ainda escrevo sobre alguma memória da minha filha Gabriela (já com 24 anos) ou sobre seus sucessos recentes, como a formatura na Ufrgs em fevereiro deste ano. Em outras, discorro sobre lembranças da minha infância, exponho as dores das saudades da minha mãe que faleceu em julho de 2011, reclamo sobre a falta de educação das pessoas nas filas dos supermercados, bancos, cinemas e teatros. Volta e meia conto um pouco do meu caso de amor com o meu neto canino shih tzu Dalai, que me deixou em novembro de 2017, ou narro as travessuras do novo neto, o vira-lata Quincas Fernando Martins, que é meu fiel companheiro desde fevereiro de 2018, quando foi por nós adotado.

Em outras colunas, não consigo segurar a minha decepção com os rumos da política e sem papas na língua redijo palavras cruéis para classificar o cenário atual do Brasil, do Estado e da Cidade. O feminismo e a minha preocupação com os direitos humanos também exigem a minha atenção e merecem textos frequentes aqui no Coletiva.net. Enfim, sem nenhuma forma de censura, sem nenhum controle, sem cerceamento, tenho liberdade para escrever, debater, palpitar e deixar minhas impressões uma vez por semana.

Quando a xará Márcia e o Iraguassu Farias assumiram a administração do portal, fiz questão de deixá-los à vontade para me dispensar e renovar o time de colunistas. Sempre que saio de férias, dou um sútil recado dizendo que se ainda me quiserem, retomo a coluna no meu retorno. Afinal, existe muita gente competente e que pode falar de comunicação com mais propriedade do que eu. Não sei não. Mas algo me diz (bem lá no fundo) que Márcia e Iraguassu são dois que engrossam a minha lista de leitores. Graças ao Nosso Senhor do Bom Fim e ao São Jorge, que não canso de venerar.

Como em 2020 completo 15 anos de relacionamento fiel e ininterrupto com o portal Coletiva.net, tudo indica que iremos comemorar Bodas de Cristal. E espero que o respeito continue sendo a tônica do nosso envolvimento que já teve até perfil meu escrito magnificamente pela Bruna Karpinski. E que Coletiva.net prossiga com as informações sobre as trocas no meio da comunicação, com as últimas notícias sobre o que de melhor acontece no jornalismo, na publicidade e nas relações entre profissionais, agências, assessorias e veículos do Rio Grande do Sul.

Autor
Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Famecos/PUCRS, militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editoriais de economia e geral, e em assessorias de comunicação social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em antologias, diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (Sindjors), e secretária do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA). Tem o blogmarcinhaprodigio.blogspot.com. É mãe da Gabriela e avó dos caninos shih tzu Dalai, agora uma estrelinha, e do vira-lata Quincas Fernando.

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