Guaracy Andrade: Entre uma festa e outra

Imagine uma média de 180 e-mails sendo enviados para a sua caixa postal diariamente. E quase todos eles, convites para os acontecimentos sociais mais badalados da capital.

Imagine uma média de 180 e-mails sendo enviados para a sua caixa postal diariamente.  E quase todos eles, convites para os acontecimentos sociais mais badalados da capital. Pois nem bem começou um evento importante assim e lá está Guaracy Andrade, colunista da RS VIP (a coluna social do Segundo Caderno da Zero Hora), só para registrar, sem sequer aproveitar ? pois, segundo faz questão de frisar, "está na festa a trabalho".

 

Guaracy tem uma vida social muito agitada, não por escolha, mas por puro prazer. E nem reclama do cansaço, pois garante que a atividade é satisfação garantida. No princípio ? até dois anos atrás -, lidava somente com os flashes da noite, atualmente é colunista de fato, mas sempre foi figura carimbada entre os colunáveis. Casado há 15 anos com a empresária Carla, com quem tem o Mateus, de oito anos, se desdobra para conciliar trabalho e família. Depois de uma agenda lotada de agitos noturnos, não esconde em dizer que "corre" para o seu refúgio, o sítio da família.

 

A carreira como fotógrafo começou em 1979, na antiga agência Diafragma, atual revista Imagem News, quando o diretor Floriano Bertoluzi, por quem ele tem grande admiração, convidou-o para trabalhar na empresa. Guaracy conta que na época nem sonhava em ser fotógrafo. Tudo começou quando, com apenas uma semana de trabalho, foi obrigado a substituir o fotógrafo da Diafragma, ausente no exato momento de se registrar as fotos de uma reportagem. Uma situação bizarra, segundo ele, que não sabia nem colocar o filme na máquina fotográfica. " Foi um desastre, gastei dois filmes e aproveitei quatro fotos", relembra. Mas graças a este episódio descobriu que era realmente aquilo que queria para sua vida profissional. "Eu coloquei  na cabeça que tinha que ser repórter fotográfico, que eu curtia isso", afirma ele. Um ano e meio depois Guaracy ganhava o registro de jornalista na função de repórter fotográfico, e logo depois, em 1982, foi convidado para assumir a coluna social do Jornal do Comércio, onde atuou por um ano.

 

Com apenas três anos de carreira, Guaracy ingressou no jornal Zero Hora, onde este ano completa 20 anos de casa. Iniciou ali como fotógrafo da coluna social assinada por Paulo Gasparotto, e fazia alguns bicos ? geralmente nos fins de semana -, para a editoria de esportes. Entre um trabalho e outro, Guaracy destaca uma grande cobertura de sua carreira:  a final do Campeonato Mundial Interclubes, em 1995, com o  jogo Grêmio X Ajax, no Japão. Em junho de 2001, sua vida profissional começou a mudar bastante: com a saída de Gasparotto, ele assumiu,  juntamente com Fernanda Zaffari,  a coluna social diária del Zero Hora, a RS Vip, para a qual hoje se dedica com exclusividade ? afora o acompanhamento das duas lojas de revelação de fotografia que possui, uma delas gerenciada por Carla.

 

Graças às características de sua atividade, já esteve poucos metros de distância de muitas musas de cinema e televisão. Um exemplo? Guaracy fez a cobertura do carnaval do Rio de Janeiro ininterruptamente durante 16 anos, enviado pela Zero Hora. "Todas as personalidades que passaram pela Marquês de Sapucaí eu registrei", garante. Dentre os fatos inusitados que aconteceram, recorda o  surgimento de Luma de Oliveira: "Eu estava na avenida e vi muitos fotógrafos em torno de uma mulher, não sabia quem era. Pelo tino jornalístico, fui para o aglomerado e fiz a foto, que foi publicada na capa da ZH no dia seguinte", conta empolgado. Guaracy lembra que foi um "fotão", pois Luma de Oliveira foi considerada a sensação do carnaval daquele ano.

 

Paixão pelo sítio e a família

 

Proteção, essa é a palavra básica que Guaracy utiliza ao definir seu envolvimento com as <i>socialites</i>. "Raramente eu fico para jantar nos eventos, procuro as informações, faço os registros e já vou embora". Atribui a permanência rápida nas festas à média de eventos que cobre por noite: cerca de quatro, não incluindo sexta-feira e sábados ? que têm um fluxo maior. "Tenho que me desdobrar, à vezes fico 15 minutos em cada um", diz ele.

 

Devido a esta vivência social bastante ativa, Guaracy tem o hábito de dormir tarde. Acorda sempre às 7h30min, toma um rápido café e vai para a Zero hora editar a página do dia seguinte. Chegando na redação, atualiza a leitura e já vai pensando, em conjunto com Fernanda, nas pautas para a próxima edição da coluna. Ao mesmo tempo, ele edita e legenda as fotografias, que foram feitas na noite anterior, para publicar na coluna. Depois de liberada a coluna, por volta do meio-dia, Guaracy ruma para o seu sítio, que fica em Gravataí, destacado por ele como uma de sua paixões da vida, um verdadeiro refúgio da agitação da capital. Divide-se entre o apartamento na capital e o recanto da família, que serve também para ele praticar atividades físicas, como a corrida, o tênis e a natação. No final da tarde volta à cidade, dá uma passada na loja ? "para ver se as coisas estão indo bem" ?, e aproveita para buscar Mateus no colégio. "Família é a melhor coisa do mundo, por isso eu tento curtir ao máximo os momentos em que estou com a Carla e o Mateus", desabafa ele, que também destaca que gostaria de ser mais presente em casa.  Nos fins de semana, Guaracy diz que é sagrado o churrasquinho dominical com a família.

 

O colunista revela que não é muito fã de música, mas escuta MPB de vez em quando no carro. Por não ter disponibilidade de tempo, o cinema não é seu lazer preferido. "Fico semanas tentando ir ao cinema, mas nunca consigo, sempre tenho algum compromisso de noite". Gosta de ler, muitos jornais ? prática comum da profissão.  Na cabeceira, atualmente está o livro `11 Minutos`, de Paulo Coelho, seu escritor favorito. Dentre as viagens internacionais que já fez, destaca Paris e Punta Del Este. Seu sonho é conhecer Marrocos, apesar de ter lido várias críticas ao país.  Guaracy salienta que tem paixões por Nova York e que moraria tranqüilamente lá. Japão é sua decepção, diz que não voltaria ao país por considerar "muito organizado".

 

"O futuro a Deus pertence"

 

Guaracy não faz planos tanto para vida pessoal quanto para a profissional. Afirma estar satisfeito e vivendo um grande momento em sua carreira. "Eu não programo nada, evidente que sempre quero o melhor para mim, mas prefiro deixar as coisas rolarem". Por estar escalando mais um degrau em sua vida profissional ? refere-se à assinatura da coluna com Fernanda Zaffari ?, o colunista diz que almeja somente escrever cada vez mais. "Eu sempre me dediquei muito à reportagem fotográfica, eu queria entrar mais para o mundo do jornalismo, a arte de escrever, e agora, estou tendo oportunidade de fazer isto".

 

Para Guaracy, o respeito, a seriedade e o profissionalismo são pontos fundamentais para alcançar êxito em algumas etapas da vida. "Se você não tiver essas três coisas reunidas, eu acho que não vai muito longe", conclui.

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