O papel das redes sociais nas eleições de 2018

Por Elis Radmann

O IPO - Instituto Pesquisas de Opinião vem monitorando sistematicamente a relação da população com as redes sociais. Nas eleições de 2014 apenas 40% dos gaúchos estavam conectados as redes sociais, enquanto que, no pleito de 2018, serão 87,7% dos gaúchos utilizando as redes, em especial, o WhatsApp e o Facebook.

Em 2014 as redes eram utilizadas pelos eleitores e pelas pessoas com maior renda. Em 2018, há um processo de universalização das redes sociais. Entre a faixa etária de 16 e 35 anos o percentual de utilização ultrapassa 90%. E é crescente a utilização de redes sociais entre as pessoas da terceira idade, alcançando índice superior a 50%.

A maior parte dos gaúchos tem renda entre 1 a 2 salários mínimos familiar e 82,3% deste público utiliza as redes sociais. A população de baixa renda, que utiliza planos pré pagos, em função dos pacotes de dados, é condicionada a redes como Facebook e Whats, utilizando outras redes ou acessando sites quando tem acesso a uma rede Wi-Fi.

O envolvimento com o celular é crescente, sendo o maior parceiro das pessoas. Muitos passam a maior parte do dia consultando o celular e 69,5% costumam utilizar as redes sociais como fonte de informação, em especial, para saber o que está acontecendo em sua cidade, no RS ou no país.  A busca ou atualização da informação é imediata, basta uma mensagem enviada por Whats ou um comentário dentro de um ônibus para que se consulte as redes a fim de verificar a informação.

Dentre os que utilizam o celular para se informar, 70,6% afirmam que verificam a fonte de informação. Com a ampliação dos alertas em relação as notícias falsas (Fake News) apenas 6,5% dos eleitores confiam nas publicações, sem consultar a fonte da informação.

Com o começo das campanhas eleitorais os candidatos passaram a disponibilizar seus materiais nas redes sociais. O estudo questionou aos entrevistados sobre a ação realizada no momento em que se depara com conteúdo político. Verificou-se que os eleitores se dividem em quatro grupos:

- Eleitores passivos a informação: 47,9% apenas olha ou lê o material

- Eleitores ativos a informação: 23,7% lê e faz uma ação (curte, comenta ou compartilha);

- Eleitores indiferentes com a informação: 21,2% dos casos ignora a matéria política;

- Eleitores indignados com a informação: 2,8% afirmam que bloqueiam, deixam de seguir ou até denunciam o candidato.

Os eleitores ativos e passivos representam 71,6% dos gaúchos que serão  atingidos pelas narrativas políticas divulgadas nas redes sociais. É importante registrar que 1/3 destes eleitores afirmam que mudaram de opinião em relação a uma pauta ou a um candidato em função de informações que receberam nas redes sociais.

A eleição de 2018 será uma eleição multitela! Simultaneamente, o eleitor assistirá ao horário eleitoral gratuito e/ou os comerciais dos candidatos e, também, utilizará as redes sociais. Não é à-toa que muitos candidatos estão utilizando a televisão para chamar o eleitor para as redes sociais.

 Os eleitores utilizarão a televisão para buscar informações iniciais sobre os candidatos. Porém, enquanto a televisão divulga a marca, agrega valor e confere credibilidade a um candidato, a rede social propicia o relacionamento entre candidato e eleitor permitindo a busca por mais informações, em especial, quando há denúncias.

Para quem gosta de comparar a eficiência entre os meios, a televisão continuará tendo um papel decisivo, pois não há relacionamento sem credibilidade.

Autor
Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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