Esse papo tá ficando até chato

Por Grazi Araujo

Compromisso com a verdade deve ser o balizador das relações na comunicação. Assunto batido esse, vai dizer? Mas realmente o cenário está clamando por comprometimento, por responsabilidade e por menos fofoca e mais certezas. Tá cada vez mais difícil entender algumas relações, as pessoas estão cada vez mais temerosas em trocar conversas informais, não há mais espaço para diferenciar o que é notícia, o que é um bate papo ou até mesmo um desabafo entre amigos. 

No desespero de criar fatos, de encontrar culpados de eventuais erros, não existe ouvir mais de uma informação sobre um determinado tema. Tendo uma "fonte" confiável já basta. Que erro, meus caros! Talvez quando for uma confirmação suficiente para um assunto já "batido" e que só necessite de um "é isso", eu até entendo. Mas a dimensão que um simples comentário - mal interpretado - pode causar deve ser ponderada antes de ir para a grande mídia, ah deve!

Estou acreditando que agora está na moda criar polêmica, denegrir reputações, encontrar alternativas de prejudicar algo que está dando certo. Notícia boa não vende, não é mesmo? Não é à toa que a revista Contigo! foi durante muitos anos um sucesso de vendas. Com a chegada da internet e a necessidade de competição, a fofoca mal dita vira manchete. O posicionamento real do especulado? Não importa, pelo que parece. Que tristeza que tá virando a nossa profissão.

O que me espanta é que temos jornalistas com uma capacidade técnica incrível, com um domínio da profissão como poucos e que - eu ainda não entendo o porquê - começam, do nada, a queimar o filme transformando coisas pequenas em grandes inverdades. Desses, a maioria dos assessores foge, esconde informações, não dá assunto. Talvez isso explique atitudes equivocadas.

Sempre fui resistente a rótulos, até que me provem o contrário. Teimosia, talvez, excesso de confiança nas pessoas ou até uma certa ingenuidade. Mas na maioria das vezes, deu certo. Não é um toma lá dá cá, é reciprocidade mesmo, coleguismo. Relações são criadas assim, com jogo limpo. Já cansei de ouvir: - bah Grazi, fulano é assim, beltrano é assado. E bati o pé dizendo que comigo era diferente. Um dia as máscaras caem e a gente se decepciona.

As fontes - que não são assessores - falam verdades, obviamente, mas também criam sua versão de fatos que cabe ao profissional apurar se é aquilo mesmo. CHECAR a informação é premissa. Agora, falar que alguém falou sem ouvir o personagem principal é o começo de uma quebra na relação que talvez não volte nunca mais a ser como um dia já foi. Sabe a história do cristal quebrado?

Você aí, que tá lendo esse desabafo de uma assessora que sempre teve o comprometimento com a verdade e uma parceria (quase sempre) recíproca com colegas de veículos, tem medo de conversar com alguém da imprensa? Eu, até pouco tempo, não entendia o pavor de algumas pessoas ao ouvir a palavra "jornalista". Hoje eu entendo. O poder que temos na ponta dos dedos é mesmo de amedrontar. Mas a capacidade de discernir o que é realidade de conclusões precipitadas é a linha de corte de bons profissionais e de uma relação duradoura entre duas ou mais partes.

Autor
Grazielle Corrêa de Araujo é formada em Jornalismo, pela Unisinos, cursa MBA em Comunicação Eleitoral e Marketing Político, na Estácio de Sá, é pós-graduada em Marketing de Serviços, pela ESPM, e com MBA em Propaganda, Marketing e Comunicação Integrada, pela Cândido Mendes. Atualmente é chefe de Comunicação Social na Casa Civil do Rio Grande do Sul. Também responde pela Comunicação Social da Sociedade de Cardiologia do RS (Socergs) e da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV). Tem o site www.graziaraujo.com

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