Falo com...

Por Marino Boeira

Falo com Joseph Stalin - secretário geral do Partido Comunista e primeiro ministro da União das Repúblicas Socialistas Sov­­­­­­­­­­­­­­­iéticas (URSS) - 1878/1953.

 

Você foi um dos líderes da revolução comunista na Rússia e mais do que qualquer outro, sempre foi acusado de não poupar seus adversários.

"Você não consegue fazer uma revolução com luvas de seda."

Desde quando você se tornou um revolucionário?

"Converti-me em socialista levado por minha posição social. Cresci num ambiente saturado de ódio à opressão czarista."

E porque a escolha do comunismo como forma de luta contra o czarismo e depois pela revolução socialista?

"O marxismo não é apenas a teoria do socialismo, é uma concepção integral do mundo, um sistema filosófico no qual decorre, logicamente, o socialismo proletário de Marx. Esse sistema filosófico se chama materialismo dialético."

Uma acusação que pesa contra você é de governar impondo o medo à população russa.

"Teríamos acabado sozinhos se governássemos apenas pelo medo. A classe operária jamais se submeteria a um governo que pretendesse impor-se pelo medo."

Mas, você nunca foi unanimidade no meio do seu partido

"Não se pode pensar em movimento radical, forte e vivo, onde não haja controvérsia. A unanimidade absoluta só existe nos cemitérios."

Seu governo sempre foi acusado de não respeitar as opiniões contrárias.

"As ideias são muito mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, porque deveríamos permitir que tenham ideias?"

Qual a importância do líder numa revolução?

"Líderes vão e vêm, mas o povo permanece. Apenas o povo é imortal."

E como esse povo deve ser tratado pelos seus governantes?

"O povo deve ser educado com o mesmo cuidado e ternura com que um jardineiro cultiva uma árvore frutífera de estimação."

Você é acusado de que com a história de um socialismo em um só país, não ajudar as revoluções fora da URSS.

"A revolução vitoriosa num país tem por tarefa desenvolver e sustentar a revolução nos outros países."

Quando as tropas de Hitler, em 1941, ameaçavam acabar com a Rússia em Stalingrado, você fez uma promessa ao povo. Lembra qual foi?

"Alguns dizem que Hitler age como Napoleão em tudo. Bem, posso dizer que Hitler se assemelha a Napoleão tanto quanto um gatinho se parece com um leão. Os alemães irão receber a guerra de aniquilação que tanto procuraram, e serão exterminados."

No que você acredita?

"Eu acredito em apenas uma coisa: o poder da vontade humana."

Autor
Formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), foi jornalista nos veículos Última Hora, Revista Manchete, Jornal do Comércio e TV Piratini. Como publicitário, atuou nas agências Standard, Marca, Módulo, MPM e Símbolo. Acumula ainda experiência como professor universitário na área de Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos). É autor dos livros 'Raul', 'Crime na Madrugada', 'De Quatro', 'Tudo que Você NÃO Deve Fazer para Ganhar Dinheiro na Propaganda', 'Tudo Começou em 1964', 'Brizola e Eu' e 'Aconteceu em...', que traz crônicas de viagens, publicadas originalmente em Coletiva.net. E-mail para contato: [email protected]

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