Falo com...

Por Marino Boeira

Falo com Alfred Hitchcock, diretor de Cinema, 1899 /1980.

O senhor é talvez o mais conhecido de todos os diretores de Cinema e sempre lembrado como o mestre do suspense. Os críticos diziam que seus filmes tinham um estilo próprio. Qual é o seu estilo de filmar?

"Estilo é plagiar a si mesmo."

O senhor sempre foi reconhecido como um diretor absolutista que pouco respeitava a opinião dos seus atores. Isso é verdade?

"Quando um ator vem até mim e quer discutir seu personagem, eu digo, 'está no roteiro'. Se ele disser, 'mas qual a minha motivação?', eu respondo, 'seu salário'."

E a preferência pelas atrizes loiras em seus filmes?

"Loiras fazem as melhores vítimas. Eles são como neve virgem, que mostra as sangrentas pegadas."

Elas davam palpites sobre quais ângulos gostariam de ser filmadas? Dizem que a Kim Novak ('Vertigo - Um Corpo Que Cai') uma vez lhe questionou sobre isso e sua resposta ficou famosa. Lembra o que o senhor disse para Kim?

 "O seu melhor lado? Minha querida, você está sentado sobre ele."

Seus filmes são às vezes assustadores. É o que as pessoas querem?

"Eu sou um filantropo: Eu dou às pessoas o que querem. As pessoas adoram estar horrorizadas, apavoradas."

Como isso funciona?

"Há algo mais importante que a lógica: é a imaginação. Não há terror em um estrondo, apenas na antecipação dele. Sempre faça o público sofrer tanto quanto possível."

Qual deve ser a duração desse sofrimento?

"A duração do filme deve estar diretamente relacionada com a resistência da bexiga humana."

Por que seus filmes sempre tem uma dose de terror?

"A única forma de me livrar de meus medos é fazer filmes sobre eles."

Um dos mais famosos foi 'Psicose'. Para muita gente foi puro terror.

"Para mim, 'Psicose' foi uma grande comédia. Tinha que ser."

Por que o senhor não gosta da televisão?

"A televisão é como a invenção da solda caseira. Ela não mudou o hábito das pessoas. Ela apenas as manteve dentro de casa. A televisão é como as torradeiras: carrega-se no botão e sai sempre a mesma coisa."

Como o senhor vê o reconhecimento da Academia do Cinema com o seu trabalho de diretor?

"Este prêmio é significante porque vem de meus companheiros comerciantes de celuloide."

Autor
Formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), foi jornalista nos veículos Última Hora, Revista Manchete, Jornal do Comércio e TV Piratini. Como publicitário, atuou nas agências Standard, Marca, Módulo, MPM e Símbolo. Acumula ainda experiência como professor universitário na área de Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos). É autor dos livros 'Raul', 'Crime na Madrugada', 'De Quatro', 'Tudo que Você NÃO Deve Fazer para Ganhar Dinheiro na Propaganda', 'Tudo Começou em 1964', 'Brizola e Eu' e 'Aconteceu em...', que traz crônicas de viagens, publicadas originalmente em Coletiva.net. E-mail para contato: [email protected]

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