Individualmente somos mais ativos

Por Elis Radmann

Vivemos na era da transformação digital. Estamos passando por uma verdadeira revolução que altera progressivamente o nosso comportamento: seja na forma que nos relacionamos com as pessoas, em nossos hábitos de compra, na forma como organizamos e fazemos nossas viagens e, também, na nossa maneira de acessar a informação.

O consumidor, o eleitor, o cidadão foi e está sendo empoderado pela internet, vivendo dia a dia um processo de aprendizagem e estabelecendo um novo comportamento. A cada pesquisa que o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião realiza, maior é o índice de pessoas que adentram e utilizam o mundo digital.

E quando uma pessoa aprende a navegar na internet realiza uma nova experiência. O mesmo ocorre quando faz um perfil nas redes sociais. É como se ganhasse uma nova identidade em um novo mundo. Essa pessoa passa a procurar conhecidos ou saber se aquele amigo ou familiar também tem um perfil. Na sequência, passa a pesquisar na internet, a ver filmes e ouvir músicas de preferência, aventura-se nas compras on-line, solicita carro por aplicativo e, até mesmo, agenda hospedagem em outra cidade.

O mundo digital altera a dinâmica individual das pessoas. No que se refere ao acesso à informação, os indivíduos que eram seres passivos estão se tornando seres ativos. Tornam-se seres ativos pela capacidade de selecionar o que vão assistir e interagir com o conteúdo. Hoje, o consumidor tem o poder de zapear as várias tecnologias e fazer o efeito multitela (assistir TV junto a outros canais de comunicação, inclusive, comentando simultaneamente o programa que está assistindo nas redes sociais).

Torna-se um ser ativo pela geração de informação e produção de imagens. Compartilha os acontecimentos cotidianos e, em alguns casos, 'cobre' um acontecimento antes mesmo da impressa.

É ativo por estar empoderado pela internet, podendo pesquisar tudo sobre um produto antes mesmo de visitar a loja física. No passado, o consumidor que desejava uma televisão, procurava uma loja e aprendia as vantagens de cada marca com o vendedor (isso quando encontrava um vendedor que tinha essa boa vontade). Hoje, o consumidor pode pesquisar os televisores que foram lançados, o valor médio, o melhor preço, as vantagens tecnológicas sobre cada equipamento e, ainda, ver os comentários dos consumidores sobre o produto e seus benefícios.

O contrário também vem acontecendo. Há consumidores que vão até uma loja de varejo e avaliam os principais produtos à disposição. Este consumidor ativo e empoderado não opta por um produto similar se não houver um mix variado ou não tiver exatamente o que procura. Ele pega o descritivo do produto e faz o pedido na internet. Se pensarmos, há pouco tempo, somente o lojista é que poderia fazer este pedido.

Este consumidor empoderado é um consumidor mais exigente, que, cada vez mais, tem a capacidade de comparar processos, produtos e atendimentos em um click, utilizando-se da experiência de compra na internet.

Este consumidor mais exigente se relaciona diretamente com as marcas: ama, critica, odeia, contextualiza, compartilha, etc. E um consumidor insatisfeito, além de colocar a 'boca no trombone', registra a reclamação em todos os canais possíveis e marca a empresa em uma reclamação em sua própria timeline, podendo ter a solidariedade de muitos outros consumidores.

O empoderamento cria um ativismo individual. Um ser mais ativo para as suas práticas individuais. A tarefa é tornar esse indivíduo um sujeito desta transformação social e um ser ativo em prol da coletividade.

Autor
Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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