O que fica, o que vai e o que vem?

Por Grazielle Araujo

Tive um pouco de dificuldade até parar para escrever sobre outras coisas senão de trabalho. O prazer de transferir para a ponta dos dedos o que por vezes está na ponta da língua ou no pensamento precisa de tempo, dedicação e momento. Tenho tantas coisas para escrever sobre tudo isso que estamos vivendo que organizar as ideias é quase uma gestão de crise mental. Qualquer semelhança não é mera coincidência diante de tantas crises a gerenciar. Fora todo o cenário político, econômico e social, quem tem filhos também está aprendendo diariamente, minuto a minuto para ser mais exata. 

Estamos vivendo algo nunca antes vivido na nossa história. Mudanças de hábitos, crenças, conceitos, rotinas, comportamento e um montão de coisas que o isolamento social trouxe junto para dentro de nós. Tentei refletir sobre as sensações e aprendizados que tudo isso está fazendo por aqui. Não fiz como alguns colegas e amigos nada parecido com "diário de pandemia", talvez até por quase não colocar o nariz pra fora de casa. E a nossa vida dentro de casa não é tão interessante para os outros como para nós mesmo. 

No início do home office, confesso que deu um certo alívio. Menos exposição, principalmente. Na mesma semana, as aulas foram suspensas e um menino cheio de vida, no alto dos seus 8 anos, é meu despertador diário desde então. Eu lembro quando me tornei mãe e sofri ao deixar um bebê de 4 meses na escolinha. Queria poder passar muitos dias a mais com ele e não pude, por escolha e necessidade. Sempre admirei as mães que abriram mão da sua vida profissional para se dedicar aos filhos, mas não imaginava o quanto isso era complexo. Com o tal do homeschooling então?quanto respeito e gratidão aos professores! Viver 24 horas ao lado da sua cria, dentro de casa, é compensador e enlouquecedor, não necessariamente na mesma ordem. Mas todos estão sobrevivendo, evoluindo, se respeitando e cedendo um pouco. 

Daí veio a reflexão profissional. Desde o início do isolamento, não há mais horário comercial, é fato. O telefone toca, o Whatsapp não dá conta, há novas informações por todos os lados e urgências justificadas pela pandemia. Tudo isso sem hora. Eu confesso que acreditei que usaria o "tempo livre" para ler mais livros, colocar séries em dia, brincar mais com meu filho e até dar uma meditada. Eu não desisti ainda, mas também não consegui executar quase nada desta lista. E li esses dias em algum lugar que não há problema nisso. Tá tudo mexido mesmo, não temos que nos cobrar tanto e nem devemos.

Então na parte mais difícil de todas, vem a reflexão pessoal. O quanto eu estou evoluindo com tudo isso? O que vou deixar pra trás e o que levar comigo? Como o mundo vai ser depois disso? Que lições eu tive? Como vou emagrecer depois de comer tanto? Opa! Hehehe! Ainda há muito para se perguntar, as respostas não estão na ponta da língua. Renderão outros textos, outros momentos de isolamento próprio. Enquanto isso, vamos ficando em casa - quem pode - e refletindo sobre essa muvuca toda que a nossa vida se tornou.

Autor
Grazielle Corrêa de Araujo é formada em Jornalismo, pela Unisinos, cursa MBA em Comunicação Eleitoral e Marketing Político, na Estácio de Sá, é pós-graduada em Marketing de Serviços, pela ESPM, e com MBA em Propaganda, Marketing e Comunicação Integrada, pela Cândido Mendes. Atualmente é chefe de Comunicação Social na Casa Civil do Rio Grande do Sul. Também responde pela Comunicação Social da Sociedade de Cardiologia do RS (Socergs) e da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV). Tem o site www.graziaraujo.com

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