Todos os lados do Jornalismo

Por Grazielle Araujo

Ser jornalista é como ser médico, advogado, engenheiro ou qualquer profissão que te faça cursar tantas horas/aula, ensine a todos os alunos as mesmas disciplinas e depois te entregue um diploma como sinal de dever cumprido. Com ele em mãos, nós, da comunicação, estamos aptos a escrever, falar, noticiar, etc. São coisas básicas que aprendemos na faculdade e que todos têm em comum, tipo um clínico geral. Porém, quando assumimos uma editoria X ou optamos por assessoria de imprensa, só a teoria não basta. Ah, não basta. Não é à toa que as outras profissões que citei acima são reconhecidas por suas especialidades.

Eu não tive a oportunidade de ser repórter, coisas da vida. Mas admiro o "entender o caso, comunicar sobre e bora pra próxima pauta". Já conheci quem escreveu - com maestria - de saúde, política e transportes em um único dia na redação. Mas sempre admirei os colunistas que, além de escreverem sobre o que sabem, opinam.

Como prefiro escrever do que domino um pouco, o papo hoje aqui é fazer assessoria. Acreditem, não é tão fácil quanto possa parecer. Não basta dominar a escrita e a fala. É muito mais do que "não trabalhar nos finais de semana e ganhar melhor". Essas duas afirmações já são coisas do passado, vamos combinar. Um assessor se diferencia por ter relacionamento, noção, parceria, jogo de cintura. Além disso, deve saber onde se pisa, como em uma editoria específica de um veículo, imagino eu. Os assessores também devem ser pós graduados na área que decidiram estar. Se vai trabalhar com política, economia, saúde ou qualquer setor personalizado, não dá para se apegar só na teoria. Todos sabemos escrever, mas nem todos sabemos reportar ou assessorar. Precisamos aprender e não há mal algum nisso, pelo contrário, quanto mais especialista ficar, melhor.

Na política, por exemplo, não somos só porta vozes entre o governo e a imprensa. Tem uma "cadeia" de relações que constrói coisas incríveis. Tem a tal da empatia, tão necessária nestes últimos tempos. Não há regra, gente. Há sensibilidade, feeling, verdade e, com o perdão da expressão, culhão. Quem sabe onde está não se perde no caminho.

A gente aprende a ler cenários, ouvir o silêncio, trocar ideias, mudar de opinião e ouvir quem tá na área há mais tempo. Isso não fere ego, isso constrói carreira e respeito. Não há problema algum em voltar atrás, em assumir erros e dividir culpas. Apontar o dedo, cutucar a ferida e achar que cargo é sinônimo de competência é, eu diria, um caminho sem volta. Pessoas assim não se criam. Humildade é bom até para quem se acha.

Já há algum tempo, comecei a assessorar clientes de varejo. Logo eu, que não sabia fazer nem regra de três. A necessidade faz tu calcular percentual como quem amarra os tênis. Então vieram clientes da área da saúde, e se eu explicasse algo errado à produção durante uma sugestão de pauta, tava feito o estrago.

Na política, não é diferente. Mas é preciso, acima de qualquer coisa, acreditar no que se comunica. Na política é preciso, sim, ter lado. Me perdoem os que não assumem ou não dão bola pra isso. Jornalista deveria ser imparcial, mas na assessoria é ainda mais complicado. Eu não conseguiria ser assessora de imprensa do Inter sendo uma tricolor de coração. O meu lado profissional está diretamente ligado ao meu pessoal. Todos temos lados, ideologias, preferências. Minha dica é trabalhar para quem e para o que se acredita. Caso contrário, fica um pouquinho mais complicado se adaptar ao terreno e construir legados.

Autor
Grazielle Corrêa de Araujo é formada em Jornalismo, pela Unisinos, cursa MBA em Comunicação Eleitoral e Marketing Político, na Estácio de Sá, é pós-graduada em Marketing de Serviços, pela ESPM, e com MBA em Propaganda, Marketing e Comunicação Integrada, pela Cândido Mendes. Atualmente é chefe de Comunicação Social na Casa Civil do Rio Grande do Sul. Também responde pela Comunicação Social da Sociedade de Cardiologia do RS (Socergs) e da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV). Tem o site www.graziaraujo.com

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