Hui Jin Park aborda comportamento e realidades

Consultora independente esteve na quarta edição do Congresso de Estratégia Criativa

Consultora independente Hui Jin Park trata sobre comportamento e realidades - Crédito: Divulgação/Coletiva.net

A consultora independente Hui Jin Park, que já passou por agências do Brasil como McCann Ericksson, Talent e DPZ, esteve na quarta edição do Congresso de Estratégia Criativa para abordar sobre comportamento e realidades. Ela, que é nascida na Coreia do Sul, mas residente no Brasil, é mestre em Estudos de Design Aplicados para Indústria Criativa pela Central Saint Martins de Londres, e trouxe ao evento a palestra "38° - Ponto de Transmutação".

Conforme Hui, a Comunicação é uma tecnologia orgânica de conexão maior que idioma, repertório, articulação, mas sobretudo a capacidade de perceber e sentir. "Mas, atualmente, acredito que só entender de gente não é o suficiente". Por isso, começou a prestar atenção na natureza para tentar compreender melhor o trabalho. A partir desta análise, percebeu que tem que ser muito mais do que a marca ser a maior e melhor, mas fazer a diferença no mundo para fazer a tarefa bem-feita.

Para ela, relevância é a principal tecnologia em uma estrutura de trabalho aberta horizontal. "Antes de olhar para fora, é preciso prestar atenção no que tem dentro para sentir o que é relevante", aponta. Ainda sobre o assunto, abordou que neste momento em que os trabalhos estão sendo revistos, manter-se relevante é o principal elemento de sobrevivência. Para tal, cita os novos títulos de cargos, normalmente em inglês, e perceber se, de fato, você contribui e é procurado na empresa.

Também falou sobre a importância de se ter dados, como é o caso das blogueiras que questionam os produtos que usam ao invés de somente indicar. "Informações quentinhas que não precisam de aprovações de empresas de pesquisa", comentou.

De acordo com Hui, não existem regras que não possam ser quebradas, e uma rede saudável, construtiva e inteligente é tecida a partir da capacidade de desconstruir nossas convicções. "Inovar e sair da caixa é muito interessante, mas usar isso para rejeitar o convencional e cristalizado não é bom", opinou.

Com os influenciadores e a ascensão do digital, os limites entre Jornalismo, Publicidade e Entretenimento estão cada vez mais fluidos no mote desenvolvimento, linguagem e distribuição, para Hui. "Todos estes estão disputando o mesmo lugar mas podem aprender uns com os outros". Com isso, refletiu como o publicitário é ligado a processos, enquanto os jornalistas são ligados às causas. "Como é o caso do uso das palavras, onde substituir consumidor por pessoas é um bom caminho, pois, até então, é demonstrado que quem não consome a marca não importa a ela", apontou.

Outro ponto que Hui tocou foi o de que é preciso instigar os instintos selvagens. A partir disso, analisou que procurar proporcionar momentos que não são percebidos somente na cabeça, mas no coração, é fundamental. Como é o caso de analisar o que uma determinada cor ou som pode gerar, ao invés de se focar em criar uma hashtag chamativa.

Hui também abordou questões norteadoras e que geram dúvida atualmente para a Publicidade, como muito mais do que pagar as contas, trabalhar com algo que goste e que irá se engajar para gerar um conteúdo de valor. Sobre as relações de trabalho, disse que não adianta a agência colocar mais diretoras para fazer campanhas femininas e sair às 17h para buscar os filhos. "Precisamos liberar os homens para buscar os filhos também, assim como tê-lo para fazer ações femininas, brancos para fazerem campanhas de negros e héteros para fazerem sobre gays. Só assim iremos mudar este panorama", pontuou ela, que foi ovacionada neste momento.

Coletiva.net faz a cobertura da quarta edição do Congresso de Estratégia Criativa ao longo desta segunda-feira, 20, com o apoio do Grupo RBS. O evento, realizado no Teatro do Bourbon Country, é produzido pelo Grupo de Planejamento do Rio Grande do Sul.

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